- O ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, afirma que a Europa deve usar todas as ferramentas para defender os seus interesses face a práticas comerciais agressivas de rivais como a China e os Estados Unidos.
- Haddad alerta que o “livre‑comércio sem entraves” já é rejeitado por pares internacionais e diz que a Europa tem de deixar de ser “os últimos evangelistas” dessa ideia.
- A UE está a ponderar medidas mais duras para enfrentar a invasão de importações chinesas que ameaçam a indústria europeia, com debate previsto antes da cimeira de Bruxelas em meados de junho.
- Cinco países da UE, incluindo França, Itália e Espanha, pedem considerar tarifas e outras medidas para proteger o bloco de práticas externas, sem mencionar explicitamente a China.
- O ministro defende emissão conjunta de dívida para financiar investimentos estratégicos, sublinhando que um bloco central de Estados‑Membros poderia avançar sem os 27, se houver vontade comum.
A Europa deve recorrer a todas as ferramentas disponíveis para defender os seus interesses perante práticas comerciais agressivas de parceiros como a China e os EUA, afirmou o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, à Euronews. O foco é enfrentar o que ele descreve como um desmantelamento das regras do comércio internacional.
Haddad reforçou que o direito ao comércio internacional continua importante, mas que a Europa precisa ser firme para que esse direito seja respeitado. Ele afirmou que a defesa de princípios de equidade e de reciprocidade requer ações concretas e proporcionadas.
Questionado sobre reagir mais tarde ao afastamento das regras, o ministro disse que sim, vejo a Europa como o “último evangelista” de uma religião já abandonada. Segundo ele, o modelo de livre comércio sem entraves tem perdido relevância na prática.
A reunião da equipa de Ursula von der Leyen, prevista para sexta-feira, deve discutir medidas mais duras em resposta às práticas comerciais chinesas que ameaçam a indústria europeia. O objetivo é reduzir impactos sobre o mercado interno.
A discussão continua em Bruxelas, com a cimeira anual da UE marcada para meados de junho. Entre os temas estão tarifas e outras medidas para conter fluxos de importação considerados prejudiciais.
Cinco países da UE, incluindo França, Itália e Espanha, pediram ao executivo comunitário que avalie o uso de tarifas para proteger o bloco, sem referir explicitamente a China. A preocupação central é a sobrecapacidade industrial chinesa e o uso de subsídios estatais.
A China aumenta a influência em setores estratégicos, desde matérias-primas até tecnologia. Na prática, alguns Estados-membros mantêm reservas quanto a endurecer o cerco a Pequim, com receio de prejudicar a relação comercial.
Haddad afirmou que existe uma maior consciência na Europa de que exportar apenas para a China já não é garantido. Ele indicou que o know‑how tecnológico está a crescer na China com apoio estatal, justificando uma resposta mais coordenada.
O ministro destacou a força do mercado único europeu, mas avisou que não basta ter boas perspetivas: é necessário valorizar o mercado e usar todas as ferramentas à disposição. O objetivo é evitar a ingenuidade externa e proteger o acesso a bens e tecnologias.
Um estudo recente sugeriu que a indústria alemã pode ter perdido até 124 mil empregos em 2025, com impacto significativo no setor automóvel e nos custos de energia.
Em fevereiro, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou uma redefinição da doutrina económica da UE para apresentar uma resposta mais integrada até junho, incluindo potencial emissão conjunta de dívida.
O desfecho dependerá do alinhamento entre os Estados‑Membros, especialmente diante de divergências com países financeiros como a Alemanha. Haddad vê espaço para uma ação coordenada, possivelmente com grupo central de Estados‑Membros a avançar, depois do qual outros poderão aderir.
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