- Sharon Dolev defende que a única forma de lidar com o programa nuclear do Irão é através da diplomacia, não de ataques militares.
- Em Israel, o tema nuclear é tabu devido à sociedade fortemente militarizada e a um histórico de trauma; o assunto é praticamente proibido de se discutir.
- A entrevistada afirma que Israel é um Estado com armas nucleares e que o segredo é interno; Estados Unidos e aliados ajudaram na instalação, sem violar o Tratado de Não Proliferação (TNP).
- Diz que a legitimidade para fiscalizar o Irão não depende de ataques, e que o programa iraniano está disperso de forma que não pode ser eliminado por via militar; a ameaça é por procuração.
- O reator de Dimona é antigo e só pode ser inspecionado pela Comissão de Energia Nuclear de Israel, sem inspeções de outros ministérios, mostrando pouca transparência sobre a arma nuclear israelita.
Sharon Dolev é uma figura singular no debate sobre armas nucleares em Israel, um tema tabu no país. Em Telavive, afirma que diversos estados poderiam ter acesso a bombas nucleares em prazos curtos e critica a resposta internacional atual, defendendo a diplomacia para o Irão.
A ativista explica que a sociedade israelita é fortemente militarizada e marcada por traumas históricos, o que torna o tema invisível e politicamente sensível. Questiona a legitimidade de ações contra o Irão apenas por causa do seu programa nuclear, enfatizando a necessidade de factos antes de qualquer acusação.
Dolev sustenta que Israel já possui arsenais nucleares, com ambiguidades mantidas internamente, enquanto aliados ocidentais preferem não discutir o assunto. Afirma que muitos países tratam Israel como potência nuclear, independentemente da transparência, e que o debate é público entre estados árabes e o Irão.
Sobre a fiscalização entre estados, a autora coloca dúvidas quanto à legitimidade de sanções com base em falta de transparência. Argumenta que um ataque militar ao Irão não garantiria um acordo melhor e que, historicamente, negociações teriam precedência sobre a força bélica.
Para além da dimensão nuclear, Dolev descreve a ameaça do Irão como indireta, via procuração, com atores não estatais como o Hezbollah, os Houthis e milícias no Iraque. Enfatiza que a ameaça é majoritariamente convencional, não exclusiva de uma arma nuclear.
No que toca ao panorama global, a pesquisadora cita estimativas que apontam para milhares de armas nucleares no mundo, sublinhando que o uso de centenas dessas armas seria catastrófico. Reitera que a via diplomática tem mostrado resultados, ao contrário de soluções militares de maior risco.
Quanto ao Irão, aponta que o regime utiliza disponíveis estratégias de pressão e que a vitória de líderes em permanência de poder motiva certos movimentos regionais. Defende que o interesse central passa por tratar o programa nuclear através de negociações, não de ataques.
Sobre o programa iraniano, Dolev afirma que a forma de lidar com a questão passa pela diplomacia, destacando que o Irão pode ter capacidades perto de uma bomba sem detonar uma arma. Observa que muitos países mantêm o programa em estado de limiar, sem necessidade de confrontos.
A autora assegura que a visão frontal sobre a questão nuclear tem custo pessoal: dificuldades profissionais e ostracismo no meio político em Israel. Explica que o tema é visto como tabu, especialmente fora de contextos de guerra iminente, mas que a realidade atual pode mudar.
Por fim, Dolev aponta que o reator de Dimona continua activo, sem inspeções independentes de controlo de radioatividade. O acesso assume apenas a Comissão de Energia Nuclear de Israel, levantando preocupações sobre transparência e proteção da população.
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