- Campanha de desinformação pró-Kremlin dirigida à Arménia antes das eleições legislativas de 7 de junho, com 343 vídeos falsos publicados até ao início de maio.
- Narrativa principal afirma que uma vitória de Nikol Pashinyan pró-europeu poderia desencadear uma guerra com a Rússia; incluem vídeos com Emmanuel Macron alegando um acordo secreto.
- Além dos vídeos, bots disseminam informações falsas nas redes sociais, com números de visualizações inflacionados artificialmente.
- A campanha envolve a operação Matryoshka, e também a Storm-1516, ativa desde janeiro, que alegadamente acusa Pashinyan de prometer fundos e de usar dinheiro para financiar a campanha.
- O contexto inclui a cimeira UE-Arménia em maio e as advertências de Vladimir Putin sobre consequências de uma maior integração com a UE, com Moscovo a acusar ingerência ocidental.
A Arménia enfrenta uma vasta campanha de desinformação associada à esfera pró-Kremlin, que se intensifica antes das legislativas de 7 de junho. Investigadores descrevem a operação como uma das mais extensas dos últimos anos, com uso crescente de inteligência artificial na produção de conteúdos enganosos.
A acção, denominada Matryoshka, começou no início de março e visa influenciar o processo eleitoral. Paralelamente, uma rede de bots dissemina boatos nas redes sociais para fragilizar o apoio ao atual primeiro-ministro, Nikol Pashinyan, e ao seu bloco pró-europeu.
Entre as peças falsas circuladas, surgem vídeos que associam uma provável vitória de Pashinyan a um conflito com a Rússia. A narrativa central é de que o líder armenio facilitaria uma guerra caso prossiga a rota de aproximação à UE.
Entretanto, organizações independentes identificaram mais de uma dezena de vídeos com Pashinyan e o presidente francês, Macron, alegando um suposto acordo secreto de cooperação que favoreceria intervenções eleitorais em troca de ações militares contra a Rússia. Não há provas que sustentem tais afirmações, segundo os investigadores.
No dia 11 de maio correu ainda a notícia falsa de que o porta-voz de Pashinyan confirmou a presença de instrutores da NATO na Arménia e que, após as eleições, haveria de haver um confronto com a Rússia. As produções virtuais incluem ainda elementos de manipulação com personagens públicos.
Além dos vídeos, a campanha envolve a difusão de mensagens falsas por bots ativos em plataformas como X, numa tentativa de minar a credibilidade de Pashinyan junto do eleitorado. Observa-se inflacionamento artificial de números de visualizações.
A UE tem reforçado ligações com a Arménia, com destaque para a cimeira UE-Arménia realizada no início de maio, que contou com altas figuras europeias. O encontro reiterou o compromisso de aprofundar a cooperação bilateral e as relações com a União.
Pashinyan descreveu, na altura, um novo período de paz e de consolidação democrática, vendo o cenário interno como um alicerce para relações mais fortes com a UE. Putin, por sua vez, igualou a Arménia a Ucrânia em termos de riscos, mencionando preocupações associadas à adesão europeia.
Em março de 2025, a Arménia aprovou, pela maioria, o arranque de um processo de adesão à UE, um movimento que acelerou a atenção internacional sobre o país. Moscovo tem repetidamente acusado atores ocidentais de ingerência nessa trajetória.
Paralelamente, a campanha de desinformação Storm-1516 é identificada como outra rede russa de manipulação de informação. O grupo é monitorizado por organizações alemãs e francesas, com evidências de coordenação de conteúdos falsos para desestabilizar instituições democráticas.
A equipa de Clemson que estuda estas redes assinala que a Storm-1516 tem vindo a expandir a rede de influenciadores e de bots, incluindo contas com aparências locais para cada país. O objetivo é desqualificar candidatos pró-ocidentais e manter a influência russa na região.
Fontes oficiais não confirmam qualquer ligação direta entre os conteúdos difundidos e autoridades governamentais, mantendo o foco na proteção do processo eleitoral e na necessidade de verificação de informações. O fenómeno sublinha o desafio da informação em contexto geopolítico tenso.
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