- Após a vitória do Tisza, os aliados mais leais de Viktor Orbán não têm sido tão fiéis; o primeiro-ministro ainda em funções apoiou Fico e Babis nas últimas eleições e financiou as suas campanhas, ao mesmo tempo que condenava interferência externa.
- Robert Fico enviou uma mensagem a Péter Magyar e publicou uma foto com os líderes do Visegrád (V4) — Fico, Donald Tusk e Andrej Babiš — sugerindo o futuro renascimento do grupo durante a reunião da Comunidade Política Europeia na Arménia.
- A imagem mostra uma convivência entre os chefes de governo do V4, em tom afável, mas evidência um fosso ideológico entre o centro-esquerdista Tusk e os populistas que o acompanham.
- Magyar quer revitalizar o V4 e expandi-lo, incluindo Roménia além de Croácia, Eslovénia e Áustria, aumentando o número de membros na cooperação.
- As relações húngaro-eslovacas podem normalizar se o governo de Bratislava revogar leis relativas aos decretos de Beneš; Magyar apontou que a normalização só começa com essa revisão, enquanto planeia visitar Varsóvia, com Bruxelas e Roma em foco.
Desde as eleições parlamentares na Hungria, ocorridas a 12 de abril, surgem sinais de que os aliados mais próximos de Viktor Orbán podem não ser tão leais como se pensava. O governo em fim de mandato não tem assegurado o apoio que parecia claro.
O primeiro-ministro em funções apoiou publicamente Robert Fico, líder da Eslováquia, e Andrej Babiš, da República Checa, em contexto de eleições nesses países. Também terá contribuído financeiramente para campanhas destes políticos, ao mesmo tempo que criticava a intervenção estrangeira nas urnas.
Além disso, Orbán tem repetidamente visto no Grupo de Visegrado (V4) o futuro da União Europeia, segundo declarações anteriores. Contudo, três semanas dentro do novo ciclo político indicam uma aproximação entre antigos aliados e figuras de outros Estados do grupo.
Reaproximação no V4
Fico enviou uma mensagem a Péter Magyar e publicou uma foto no X com os líderes do V4 à volta de uma mesa, com Donald Tusk (Polónia) e Andrej Babiš (República Checa) presentes. A imagem foi partilhada durante a reunião da Comunidade Política Europeia na Arménia.
O encontro ocorreu no âmbito de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, que também incluiu discussões sobre a relação UE-Arménia. Orbán não participou neste evento, tal como não participou na cimeira da UE realizada em Chipre após as eleições.
Contexto e desdobramentos
A postura pública de Fico, que chegou a dizer que as ligações entre Hungria e Eslováquia poderiam deteriorar-se com a vitória do adversário, parece ter recuado face ao resultado eleitoral na Hungria. Magyar, que tomará posse no fim de semana, tem dito que a sua prioridade passa pela revitalização do V4.
Magyar já indicou a possibilidade de ampliar o grupo além dos quatro membros atuais — Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia — sugerindo a adesão de países como Roménia, Croácia, Eslovénia e Áustria, para alcançar oito Estados membros.
Este contexto sugere uma mudança de tom entre os antigos aliados de Orbán, com a liderança húngara fora de funções a avaliar a continuidade de relações dentro do V4. A normalização de relações entre Bratislava e Budapeste permanece condicionada a questões legislativas em relação aos decretos de Beneš.
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