- Em 2023, na COP28, foi feito um compromisso global para iniciar a transição para abandonar os combustíveis fósseis; três anos depois, a dependência do petróleo persiste e a guerra no Médio Oriente demonstra os riscos económicos e de segurança energética.
- A economia global continua ligada ao petróleo: grandes mercados e bancos dependem dos hidrocarbonetos, tornando a transição difícil sem causar impactos económicos.
- Países produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, têm forte dependência da exportação de petróleo; no Brasil, retirar a Petrobras da balança comercial poderia destabilizar a economia.
- A vontade política varia: EUA, Canadá e Austrália têm meios para avançar, mas o retorno de Donald Trump e o avanço da direita podem colocar os interesses económicos acima da luta climática.
- Apesar dos obstáculos, há avanços: as energias renováveis atingiram quase 50% da capacidade elétrica mundial em 2025; a China ampliou tanto a produção de energia eólica quanto solar. Em várias regiões, a energia solar ganhou peso significativo, reduzindo custos em alguns países.
No ano de 2023, a COP28 prometeu acelerar a transição para abandonar os combustíveis fósseis. O objetivo era travar as alterações climáticas, mas três anos depois a realidade mostra uma dependência ainda profunda do petróleo, com impactos económicos e de segurança.
A guerra no Oriente Médio evidenciou que a procura mundial pelo ouro negro persiste. Mesmo com apelos à transição, a política energética global mantém o petróleo como referência, 167 anos após o primeiro barril comercial ter sido extraído nos EUA.
O peso da economia
A organização de políticas climáticas aponta que o preço do barril continua a ditar movimentos de mercados. Grandes instituições financeiras, como o HSBC, enfrentarão graves dificuldades na transição sem perturbar economias globais, segundo especialistas.
Países com forte dependência, como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, mantêm controlo significativo sobre receitas petrolíferas. No Brasil, a Petrobras representa parte fulcral da balança comercial, dificultando mudanças rápidas na matriz energética.
Vontade política e lobbies
Observa-se que potências exportadoras, como EUA, Canadá e Austrália, possuem meios para avançar na transição. Contudo, o retorno de líderes de direita pode atrasar mudanças, ao favorecer interesses económicos de curto prazo sobre o clima.
Analistas lembram que o setor de petróleo tem grande influência política global, com ligações a grandes consultorias. O lobbying é apontado como um fator de resistência a reformas estruturais da energia.
Caminhos para a transição
Para abandonar o petróleo, é vital apoiar financeiramente produtores dependentes e países mais pobres para acompanhar a transição. Há necessidade de um sistema internacional que facilite estas mudanças, ainda ausente.
Apesar dos obstáculos, existem sinais positivos. A Agência Internacional para as Energias Renováveis indica que quase 50% da capacidade elétrica mundial já vem de renováveis em 2025.
Avanços tecnológicos e regionais
A China expandiu significativamente capacidades eólicas e solares, associando esse crescimento a estratégias de autonomia energética. Especialistas apontam que há ganhos de mercado, mas com domínio estratégico em jogo.
A transição também se verifica em regiões como Paquistão, onde a energia solar ganhou relevância, e em partes da Austrália e dos EUA, onde renováveis reduziram custos na factura energética.
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