- Sanna Marin afirma que a UE precisa da Ucrânia e das lições da guerra para reforçar a defesa europeia, e que gastar sem saber onde aplicar não funciona.
- A NATO prevê que a UE atinja a meta de gastar cinco por cento do PIB em defesa até 2035, acima dos dois por cento atuais. A UE também lançou o programa Security Action for Europe (SAFE), que envolve um empréstimo de 150 mil milhões de euros para fortalecer a produção de defesa.
- Marin defende que o aumento do investimento exige conhecimento prático adquirido no terreno, argumento que, para si, só a Ucrânia pode fornecer, dada a sua experiência em guerra moderna.
- A ex-primeira-ministra alerta para a dependência mútua entre UE e Ucrânia e para a ameaça de Rússia, que está a modernizar o seu exército e a considerar cenários de guerra mais amplos.
- O foco europeu deve passar a abranger mais a dissuasão nuclear própria e a cooperação com os Estados Unidos, reconhecendo que a relação EUA–Europa mudou e que é preciso preparar-se para vários cenários, incluindo uso de drones, ciberataques e IA.
A ex-primeira-ministra finlandesa Sanna Marin afirmou à Euronews que a União Europeia precisa da Ucrânia para fortalecer a defesa europeia. Disse que sem aprender com a experiência ucraniana, o aumento do gasto em defesa pode ser ineficaz. Marin aponta que o destino dos recursos depende de como são aplicados.
Segundo Marin, a UE deve investir com base em lições práticas do terreno. Defende que o dinheiro em defesa não se perde quando chega a projetos relevantes, evitando modelos tradicionais dispendiosos que não funcionam no combate moderno. A prioridade é a aplicação eficaz.
A comentadora também sublinhou que a Ucrânia oferece capacidades essenciais, como treino de combate moderno e desenvolvimento de tecnologia militar, que ajudam a robustecer a defesa europeia. Afirmou que a Ucrânia depende da ajuda europeia tanto quanto o contrário.
Ameaças russas e mudança na forma de travar a guerra
Marin diz que não pode excluir a possibilidade de a Rússia estar a preparar-se para um confronto mais amplo com a Europa. A militarização russa é apresentada como um fator de risco para a segurança do continente, especialmente com o uso de novas tecnologias.
Ela referiu que a modernização do exército russo, ataques com drones e ataques cibernéticos elevam o desafio de proteção de infraestruturas críticas na Europa. O ICCT indicou várias operações hostis planeadas ou executadas pela Rússia desde 2022, em países da UE.
Marin aponta ainda para a necessidade de cooperação tecnológica com a Ucrânia, incluindo a produção de drones e inovação em capacidades militares. O objetivo é reforçar a resiliência europeia para além das fronteiras geográficas.
Foco no nosso próprio jogo
A ex-líder finlandesa comentou sobre a relação EUA-UE na defesa, afirmando que a NATO mudou e exige a Europa manter dissuasão própria. A presença norte-americana continua relevante, mas a UE deve estar preparada para cenários onde os EUA não possam agir da mesma forma.
Marin defende que a Europa discuta mais a sua dissuasão nuclear, destacando que França é a única potência nuclear na UE. Questiona se outros países podem assumir um papel maior na dissuasão dentro da aliança.
Ela concluiu que a UE deve manter os Estados Unidos como ator central na NATO, mas preparar-se para todos os cenários, sem depender exclusivamente da presença norte-americana. A discussão sobre capacidades europeias de defesa é apresentada como essencial.
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