- A Alemanha lançou uma estratégia militar para tornar a Bundeswehr mais rápida, poderosa e tecnologicamente avançada, com foco em alcance, velocidade e dissuasão.
- A prioridade é adaptar-se à guerra na Ucrânia, centrando-se em capacidades em vez de números fixos de unidades, com ênfase em defesa aérea, armas de longo alcance e operações modernas baseadas em dados, incluindo maior uso de IA.
- O conceito de ataque profundo (deep strike) passa a ser central, visando atingir alvos atrás da frente para desorganizar o adversário e aliviar as próprias forças; inclui mísseis de cruzeiro de longo alcance.
- A Bundeswehr poderá, no futuro, alargar o alcance de fogo com o míssil de cruzeiro JASSM-ER para uso com o caça F-35, aumentando de cerca de 1.000 quilômetros o alcance comparado aos sistemas atuais; atualmente existe o Taurus como arma de ataque profundo.
- O governo pretende aumentar o efetivo para 460 mil militares (efetivos e reservistas), com expansão gradual, maior papel da reserva, redução de burocracia e uso ampliado de tecnologia, incluindo fluxos de trabalho digitais e IA.
A Alemanha avança com uma reestruturação das suas Forças Armadas, visando maior rapidez, poder e modernização tecnológica. A Bundeswehr deverá, no futuro, ser capaz de alcançar alvos a distâncias maiores com precisão, num modelo orientado por capacidades em vez de números fixos.
O Ministro da Defesa, Boris Pistorius, apresentou a estratégia militar pela primeira vez, destacando que a motivação principal é a guerra de agressão russa contra a Ucrânia. O objetivo é manter a prontidão operacional de forma acelerada, adaptando-se a cenários imprevistos com rapidez.
A complexidade da ameaça internacional tem aumentado nos últimos anos, disse Pistorius, que sublinhou a necessidade de ajustar as estratégias face a um mundo mais imprevisível e perigoso. O governo alemão analisa cenários futuros e conflitos potenciais para orientar o planeamento.
Foco: Deep Strike
A nova estratégia destaca a capacidade de atingir alvos atrás da linha da frente. Armas de longo alcance deverão ser usadas para desestabilizar rotas de abastecimento, centros de comando e infraestruturas inimigas numa fase inicial, aliviando as próprias forças.
A Bundeswehr conta atualmente com o míssil Taurus, de alcance superior a 500 km, e está prevista a aquisição do míssil de cruzeiro JASSM-ER para o F-35, com alcance próximo de 1.000 km. Ambos os sistemas são fabricados pela Lockheed Martin.
Estrutura e capacidades
Parte da estratégia manter-se-á em segredo, para evitar fornecer informações detalhadas a potenciais adversários. Pistorius justificou que cenários concretos não devem ser tornados públicos para não expor vulnerabilidades.
Ao mesmo tempo, o governo planeia aumentos significativos na força total, visando 460.000 militares, entre ativos e reservistas. O contingente atual aproxima-se de 184.300 militares em serviço ativo e 860.000 reservistas.
Formação, reserva e organização
O plano contempla reforçar a formação de pessoal e ampliar o papel da reserva, que passará a ser parte integrante das forças armadas, não apenas um complemento. A reserva deverá funcionar como elo entre o aparelho militar e a sociedade civil, assegurando mobilização eficiente em crises.
A expansão também envolve um ganho de rapidez organizacional, com redução de burocracia e maior digitalização. Serão adoptados fluxos de trabalho digitais, menos notificações e maior uso de inteligência artificial para aumentar a eficiência.
Implementação e acompanhamento
A estratégia é apresentada como um documento vivo, sujeito a actualizações regulares conforme evoluam ameaças e tecnologias. O governo pretende, ainda, manter uma abordagem pragmática, assegurando atractividade para recrutamento e continuidade de capacidades.
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