A presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) afirmou à Euronews que as guerras em curso não são responsabilidade da ONU, mas sim dos Estados-membros. Em entrevista, explicou que o abuso do veto por parte de membros-chave impede progressos.
Baerbock sublinhou que a ONU não atua sozinha, sendo um conjunto de 193 Estados-membros com diferentes perspetivas. Comparou o funcionamento da organização ao de sistemas judiciais nacionais, onde várias partes devem concordar para avançar.
O principal obstáculo, segundo a presidente da AGNU, continua a ser o poder de veto no Conselho de Segurança. Os cinco membros permanentes (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA) podem bloquear resoluções, limitando ações da ONU.
Dados recentes mostram a influência do veto, com uso relevante em conflitos como Ucrânia e Gaza. Em 2024, houve oito vetos em sete propostas de resolução, o que marcou o máximo desde 1986, segundo a análise de Baerbock.
Reforma e reação
Em março de 2025, o secretário-geral António Guterres lançou a iniciativa UN80 para simplificar estrutura, mandatos e finanças, incluindo propostas para limitar o veto. No entanto, há pouca vontade entre os membros permanentes para reduzir o seu poder.
Baerbock defendeu que qualquer mudança depende do consenso entre os 15 membros do Conselho. Acrescentou que a ONU continua a depender fortemente da cooperação entre os Estados-membros para cumprir o mandato de paz e segurança.
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