O eurodeputado Marc Botenga (A Esquerda, Bélgica) acusou a União Europeia de não ter feito qualquer esforço diplomático para encerrar a guerra entre EUA e Irão. Em entrevista ao programa Europe Today, da Euronews, o político criticou a resposta da UE à crise.
Botenga reagiu ao cessar-fogo de duas semanas anunciado pelos EUA e pelo Irão. Segundo o eurodeputado, a UE devia ter condenado os crimes de guerra e adotado uma posição firme para defender direitos humanos e o direito internacional.
O acordo de trégua foi revelado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, numa publicação nas redes sociais. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão confirmou a aceitação e indicou que irá negociar com os EUA em Islamabad, a partir de sexta-feira.
Para Botenga, a UE deveria ter condenado a retórica bélica de Trump, que, segundo o eurodeputado, utilizou linguagem que pode encorajar ataques contra civis. O político afirmou ainda que a UE não identificou corretamente as vítimas do conflito.
Relativamente à escalada de hostilidades, Trump havia feito ameaças duras na terça-feira, incluindo referências a consequências graves caso não haja acordo com o Irão. Botenga defendeu uma resposta diplomática mais firme por parte da UE.
O cessar-fogo não abrange o Líbano, cenário de combates entre Israel e o Hezbollah. Botenga questionou por que não há condenação internacional e sanções propostas contra ações que considera relevantes para o conflito na região.
Em relação ao Líbano, o primeiro-ministro de Israel afirmou que a trégua não cobre aquela zona. Botenga citou a situação no sul do Líbano, alegando preocupações com operações que afetaram civis e comunidades locais.
À margem, António Costa, presidente do Conselho Europeu, reagiu às ameaças de Trump com tom cauteloso, sublinhando que ataques a infraestruturas civis seriam ilegais. A Alta Representante da UE, Kaja Kallas, classificou o cessar-fogo como um passo atrás no abismo.
No âmbito regional, a imprensa internacional acompanha a evolução dos contactos entre EUA e Irão em vias diplomáticas, com encontros previstos para abordar um possível caminho de desescalada. Não foram apresentadas novas informações sobre sanções europeias.
A Euronews destacou que, desde o início do conflito, o Irão lançou dezenas de ataques com mísseis e drones contra alvos na região, segundo relatos oficiais e checagens no terreno. A situação permanece tensa e sujeita a alterações rápidas.
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