Em Tóquio, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu a previsibilidade da Europa, contrária à suposta imprevisibilidade associada aos Estados Unidos de Donald Trump. A fala ocorreu na segunda jornada de uma visita oficial ao Japão.
Macron disse a empresários e investidores japoneses que a Europa pode parecer lenta, mas a previsibilidade tem valor. Garantiu que a Europa permanece estável nos próximos passos, pedindo que se tenha confiança na continuidade, mesmo em tempos voláteis.
Sem mencionar Trump a título nominal, o chefe de Estado criticou quem afirma caminhar mais depressa sem garantias de continuidade, o que, segundo ele, pode prejudicar aliados sem avisos prévios. A referência é interpretada como crítica implícita à política externa norte-americana.
Impacto económico e diplomático
O líder francês apontou que a escalada de conflitos no Médio Oriente já tem efeitos diretos, incluindo o bloqueio do estreito de Ormuz, essencial para o fornecimento de crude ao Sudeste Asiático. O Irão respondeu com medidas que afetam o preço da energia.
A situação afeta o Japão, que depende em grande medida do crude importado, com 95% dessas compras vindo da região. Macron salientou impactos dramáticos nos custos energéticos e reiterou a solidariedade europeia com o Japão.
O chefe de Estado sublinhou a importância de manter o direito internacional e uma diplomacia estável, defendendo uma solução negociada para a crise. Afirmou, ainda, a necessidade de parcerias estratégicas entre França e Japão.
Parcerias e visão estratégica
Macron convocou empresários japoneses a fortalecerem alianças com a França, especialmente nas áreas de computação quântica, IA, semicondutores, espaço e defesa. Enfatizou convergência entre estratégias europeias e japonesas para uma prosperidade equilibrada.
O Presidente manifestou a esperança de que o vínculo entre Japão e França sirva de base para uma coalizão de países independentes, incluindo europeus, asiáticos e grandes emergentes como Índia e Brasil.
Por fim, o chefe de Estado destacou que as soluções tecnológicas não devem depender de potências hegemónicas nem serem orientadas por agendas geopolíticas alheias aos interesses europeus. A visita ocorrerá até quinta-feira, com encontro com o imperador Naruhito prevista no programa.
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