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FIFA atribui prémio da paz a Trump; críticas apontam para possível favorecimento

Investigação sustenta que a FIFA funciona como projeto de domínio europeu, com crescente influência norte-americana e críticas éticas persistentes

Donald Trump recebeu prémio da paz da FIFA
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Carlos Gomes, investigador português, envolve-se num livro em alemão lançado este mês que analisa quase um século de Mundiais de futebol, com foco no domínio europeu e na influência política e económica sobre a FIFA. Glenn Jäger é coautor.

O estudo, intitulado Griff nach Gold, discute a controvérsia em torno do Mundial do Qatar, em 2022, e critica a forma como a reação europeia foi, por vezes, marcada por eurocentrismo e pelo uso seletivo de padrões de direitos humanos.

Segundo os autores, houve uma grande campanha de boicote e críticas públicas a jogadores, mas sustenta que há desigualdade na cobertura de casos de corrupção ao longo de mundiais, incluindo eventos anteriores.

Para Gomes, é problemático ignorar o impacto simbólico do torneio na região árabe, já que milhões o viveram como um evento próximo, quase em casa, destacando a dimensão sociocultural do evento.

Perspectiva histórica

O livro analisa 96 anos de Mundiais, cruzando futebol, geopolítica e relações internacionais, com o objetivo de descrever o papel da FIFA neste ritmo de transformação global.

Os autores defendem que a FIFA, desde a sua génese, funciona como um projeto com traços de domínio europeu, ao ponto de ter integrado o mundo de forma desigual desde as primeiras edições.

O recorte histórico aponta que seleções africanas e asiáticas tiveram pouca presença durante décadas, com 1966 a atribuir apenas uma vaga conjunta para África e Ásia, gerando boicotes regionais.

Carlos Gomes, radicado em Berlim desde 2013, considera que o período colonial ajudou a restringir o desenvolvimento do futebol fora da Europa, ainda que reconheça uma evolução recente para uma maior diversidade.

No texto, é apontada uma maior influência norte-americana na gestão da FIFA, citando a proximidade entre o então presidente Gianni Infantino e Donald Trump, então presidente dos EUA.

Ponto-chave

O livro sustenta que a FIFA tem mostrado, em várias ocasiões, favorecer interesses económicos e pressões políticas, em detrimento de um papel de mediador em conflitos internacionais, mesmo mantendo a imagem de organização neutra.

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