O chanceler alemão Friedrich Merz disse nesta sexta-feira que a crise energética provocada pela guerra no Médio Oriente pode obrigar a Alemanha a manter em funcionamento centrais elétricas a carvão por mais tempo do que o previsto. A afirmação foi feita durante um evento em Frankfurt.
A política energética da Alemanha prevê o abandono definitivo da energia nuclear em 2023 e a eliminação gradual das centrais a carvão até 2038. Merz reconheceu a possibilidade de atrasos no cumprimento desse calendário se a escassez de energia se agravar.
A subida dos preços dos hidrocarbonetos, associada ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão, é apontada como principal fator de risco para o abastecimento elétrico alemão. O país teme impactos económicos significativos decorrentes da crise.
Tempos antes, num fórum do jornal FAZ, Merz não descartou a hipótese de a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão não conduzir a uma mudança de regime em Teerão. Questionou se esse seria mesmo o objetivo com a intervenção militar.
Contexto geopolítico
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, pediu a Teerão que inicie negociações sérias com os Estados Unidos, em resposta à escalada regional. A mensagem visa reduzir tensões e evitar impactos diretos na Alemanha.
Desde 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel têm uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão. Em resposta, o Irão intensificou ataques regionais e manteve o bloqueio estratégico do Estreito de Ormuz.
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