Desde a ameaça de tarifas comerciais sob a gestão de Donald Trump até ao atual conflito no Médio Oriente, europeus reavaliam o desempenho da UE a nível global. Um inquérito da Euroconsumers aponta perceções distintas sobre o papel do bloco na política e na economia mundial.
A maioria encara a UE como força significativa. Cerca de 63% vêem-na como potência económica de referência e 60% como ator político influente. Mas apenas 36% consideram a UE credível em termos militares, destacando um fosso entre peso económico e capacidades de defesa.
Na avaliação de crises, 42% reconhecem liderança firme na Ucrânia, enquanto 41% dizem o oposto em Gaza. Dois terços dos inquiridos consideram que divergências entre Estados-membros minam a influência global da UE.
Relação com os EUA e novas parcerias
O estudo revela enfraquecimento da confiança na aliança transatlântica. Apenas 28% acreditam que os EUA serão fiáveis a longo prazo. Países como Dinamarca, Alemanha, Portugal, Irlanda, Bélgica e Espanha mostram dúvidas sobre a continuidade da relação.
Cerca de metade dos inquiridos defende que a UE pode apostar em parcerias fora dos EUA. Ao mesmo tempo, 51% apoiam aprofundar relações comerciais com economias asiáticas, como Japão e Coreia do Sul, e 37% buscam ligações mais fortes com a China.
A proporção que apoia medidas de retaliação da UE contra direitos aduaneiros norte-americanos chega a 70%. Em contrapartida, 38% desaprovam a reação da UE a políticas de Trump, contra 34% que a apoiam. No comportamento do consumidor, 44% reduziram compras de produtos dos EUA, com 55% na Dinamarca a avaliar esse efeito.
Autonomia tecnológica e defesa
A maioria dos europeus quer maior autonomia. Cerca de 80% apoia investimento reforçado na tecnologia europeia para reduzir dependências externas. Também há apoio ao fortalecimento da defesa e à diversificação de parcerias comerciais.
No entanto, a expectativa permanece moderada. Embora haja vontade de uma UE mais assertiva, persiste a preocupação com impactos económicos, sobretudo para famílias face ao aumento do custo de vida.
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