Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), afirmou que a guerra no Médio Oriente representa uma ameaça muito séria para a economia mundial. O alerta foi feito durante o National Press Club, em Canberra, na Austrália, numa sessão realizada esta segunda-feira.
Birol afirmou que nenhum país ficará imune aos impactos se a escalada continuar. O responsável compara a crise com os grandes choques petrolíferos da década de 1970 e com o efeito da guerra entre a Rússia e a Ucrânia nos mercados de gás.
O dirigente destacou que infraestruturas vitais foram atingidas, com 40 instalações energéticas em nove países da região gravemente danificadas. O impacto abrange petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio.
A situação acompanha uma escalada de preços do petróleo, com o WTI a ultrapassar os 100 dólares por barril e o Brent acima de 113 dólares. Fontes de mercado apontam para uma pressão contínua conforme os conflitos evoluem.
Birol indicou estar em contato com governos da Europa e da Ásia para discutir libertação potencial de reservas estratégicas de crude. A decisão dependerá das condições de mercado e da avaliação dos membros da AIE.
A intervenção acompanha uma tensão militar entre Israel e o Irão, com ataques aéreos recentes contra Teerão. O Irão lembrou que pode atingir centrais elétricas na região se a ameaça de bombardear infraestrutura interna se materializar.
Contexto geopolítico e impactos energéticos
O Irão mantém controlo próximo ao Estreito de Ormuz, via essencial para o abastecimento global de petróleo. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um prazo de 48 horas para permitir trânsito marítimo nessa passagem, sob risco de ações contra infraestruturas iranianas.
Do lado económico, o petróleo reage a cada desdobramento da crise. Organizações internacionais acompanham a evolução e avaliariam medidas adicionais de intervenção, caso haja necessidade de estabilizar mercados.
As análises da AIE refletem a preocupação com consequências mais amplas para cadeias de abastecimento críticas, como petroquímica e fertilizantes, que podem afetar setores industriais e preços para consumidores globais.
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