O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, deixou em aberto a possibilidade de novas medidas contra a Ucrânia para pressionar a retoma do fornecimento de petróleo russo via Hungria e Eslováquia. A declaração ocorreu em Bruxelas, um dia depois de Orban ter bloqueado novamente um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev.
Orbán afirmou que o governo tem várias cartas por explorar para além de impedir ajuda financeira necessária para as forças armadas e a economia da Ucrânia. Disse ainda que 40% do abastecimento elétrico ucraniano passa pela Hungria, e que a UE não deve exigir mais sanções sem consenso, o que, no seu entender, impede avanços.
O fornecimento de petróleo através do oleoduto Druzhba ficou interrompido após alegado ataque de drone russo a infraestruturas ucranianas. A Hungria e a Eslováquia são os únicos Estados-Membros da UE a continuar a importar petróleo russo.
Contexto e impactos
Orbán mantém o discurso de que a Ucrânia sabotou o oleoduto para criar uma crise energética em ano eleitoral na Hungria. O primeiro-ministro prometeu vetar medidas da UE para ajudar Kiev até que os carregamentos sejam retomados, indicando que não cedera sem garantias.
Funcionários da UE mostraram-se dispostos a apoiar Kiev com assistência técnica e financiamento para reparar o Druzhba, uma oferta que Kiev aceitou, na tentativa de desbloquear o fornecimento. O objetivo é impedir um acréscimo de tensões energéticas na região.
Confronto político e eleições
Enquanto a eleição na Hungria se aproxima a 12 de abril, Orbán fortalece a retórica anti-Ucrânia, apresentando o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como ameaças para a segurança nacional. O premiê afirma que a sua reeleição é indispensável para manter a paz e a estabilidade no país.
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