O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reiterou que não apoiará medidas pró-Ucrânia até receber petróleo. A declaração foi feita à chegada ao Conselho Europeu, em Bruxelas, antes da cimeira da UE desta quinta-feira.
Orbán vincula o apoio financeiro a um desbloqueio do fornecimento de petróleo e acusa Kiev de bloquear o petróleo que a Hungria precisa. Nega que haja espaço para avanços sem esse input energético.
Ele frisou que, na sua perspetiva, sem petróleo não há base para aprovar qualquer proposta destinada à Ucrânia e descreveu a questão como existencial para a Hungria.
O Governo húngaro já tem usado o veto UE para pressionar o desbloqueio do empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, condicionando o apoio à resolução do problema energético.
Contexto do debate
A cimeira europeia analisa impactos da escalada no Médio Oriente e os efeitos na segurança energética, com foco na subida de preços da energia e na procura de garantias de fornecimento estáveis.
As tensões entre Hungria e Ucrânia surgem num contexto de disputas sobre o oleoduto Druzhba, após danos causados por um ataque russo, com Kiev a alegar atrasos por motivos de segurança e Budapeste a sugerir motivos políticos.
Orbán tem usado o veto para pressionar o alinhamento de políticas, deixando a UE sem acordos unânimes em várias ocasiões, sobretudo quando se discutem financiamentos para Kiev.
Fontes diplomáticas apontam que, mesmo com a cimeira, o empréstimo não deverá avançar neste encontro, dado o foco de Orbán nas necessidades energéticas nacionais antes das eleições legislativas de 12 de abril.
Observa-se uma expectativa de desagrado por parte dos líderes da UEFace à oposição húngara, que tem atrasado decisões a 27, numa instituição que funciona por unanimidade.
Para além do orçamento, assinala-se que, sem financiamento para Kiev, a Ucrânia pode ficar sem suporte financeiro já em maio, reforçando a pressão para um acordo energético que inclua a Hungria.
Em Bruxelas, analistas sinalizam que a posição húngara limita a adoção de novas medidas pelas 27, mantendo o foco na segurança energética e na gestão de preços.
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