O ministro libanês da Energia, Joe Saddi, afirmou à Euronews que o Líbano pediu negociações diretas com Israel, mediadas por um intermediário norte‑americano, para pôr termo à ofensiva que já custou centenas de vidas e provocou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas. O conflito envolve o Hezbollah e tem afectado o sul do Libano e áreas de Beirute.
A Presidência libanesa pediu também um cessar-fogo para terminar as hostilidades terrestres e aéreas. O Governo alerta para o risco de o Líbano enfrentar um agravamento ou uma escalada que pondere transformar o país numa Gaza, caso não haja contenção.
Contatos internacionais e reações
Líbano manteve conversações bilaterais com a União Europeia, incluindo encontros com Ursula von der Leyen e António Costa, para obter apoio externo. Fontes próximas indicaram que não houve resposta oficial até o momento.
Alguns governos rejeitaram a proposta de mediação, segundo fontes norte-americanas e israelitas, sem confirmação pública. O objetivo declarado de Israeli premier Netanyahu é desarmar por completo o Hezbollah.
Implementação do cessar-fogo e capacidades do Libano
O primeiro-ministro libanês enfatizou que o país não está a cumprir integralmente o acordo de cessar-fogo de 2024, apontando para dificuldades logísticas e operacionais do Exército Libanês. Saddi explicou que o ritmo de implementação depende de capacidades militares e do comportamento de Israel.
O Líbano já acusou repetidamente Israel de violar o cessar-fogo no sul. Observadores apontam que o Hezbollah poderia ter reagido com menos violência se o desarmamento tivesse avançado, evitando a escalada recente.
Desmilitarização e financiamento
O ministro indicou que o Exército Libanês não possui recursos para desmilitarizar o Hezbollah de forma unilateral, sendo necessária uma ação faseada. O governo classificou as ações da milícia como ilegais desde o início de março, quando houve lançamento de foguetes contra Israel.
Saddi acrescentou que, na visão do governo, o Hezbollah, se operasse apenas como partido político, não enfrentaria resistência. A possibilidade de intervenção financeira internacional é vista como condicionada pelos riscos de nova guerra no Médio Oriente.
Perspectivas
O ministro destacou que uma redução significativa do apoio externo ao Hezbollah, especialmente do Irão, seria essencial para enfraquecer a milícia. A análise aponta para a dependência financeira e militar do grupo como factor-chave na tensão regional.
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