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Denúncias de violência em cozinhas sugerem problemas mais amplos

Denúncias de violência nas cozinhas apontam para prática sistémica, com relatos de abusos diários que persistem, mesmo entre chefs que passaram pelo Noma

A pressão que existe nas cozinhas e uma cultura militarizada levam, em muitos casos, a um ambiente de violência
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  • Denúncias de maus-tratos no Noma, cinco vezes “melhor restaurante do mundo”, geram debate entre cozinheiros sobre violência sistémica que “continua a acontecer todos os dias”.
  • Alexandre Silva, hoje chef dos restaurantes Loco e Fogo, tinha dezoito anos quando começou a carreira e encontrou um ambiente onde a violência era normalizada.
  • Ele descreve incidentes como um sous-chef a partir uma espátula no pescoço de uma cozinheira.
  • Relata ainda queimaduras com maçarico e recebimento de pontapés, dizendo que não tem orgulho em falar, mas considera importante.
  • Questiona-se se as melhorias verificadas desde então são suficientes, apontando que os episódios ainda ocorrem.

No debate sobre violência nas cozinhas de restaurantes premiados, relatos de maus-tratos no Noma, campeão várias vezes, emergem como parte de uma discussão mais ampla sobre práticas abusivas. Assuntos que envolvem o ambiente de trabalho e a cultura interna de equipas de cozinha.

Alexandre Silva, hoje à frente dos restaurantes Loco e Fogo, em Lisboa, descreve uma experiência formativa marcada pela violência estrutural. Primeiro emprego aos 19 anos, ele viu colegas sofrerem agressões físicas; também relatou queimaduras com maçarico, além de humilhações com objetos de cozinha. Estes relatos são apresentados como parte de uma visão de que o problema persiste.

A testemunha afirma que, desde então, houve melhorias, mas sustenta que episódios de violência continuam a ocorrer. A narrativa envolve o consumo de ambientes de alta pressão, onde a disciplina é exigente e as consequências podem ser graves para quem está a iniciar a carreira.

Contexto e desdobramentos

Relatos de trabalhadores de cozinhas premiadas têm colocado o tema sob escrutínio público, incluindo práticas de gestão de equipas e hierarquias rígidas. Especialistas destacam que a violência pode manifestar-se de várias formas, não apenas física, e que a prevenção exige políticas claras e formação adequada.

Fontes próximas dos estabelecimentos apontam para medidas de melhoria implementadas nos últimos anos, como formação em segurança e canais de denúncia. Ainda assim, defensores de trabalhadores defendem uma monitorização constante para evitar que padrões antigos voltem a surgir.

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