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Pais enfrentam resistência dos filhos às férias em família

Autonomia na adolescência: pais devem negociar as férias em família, mantendo convivência e respeitando a autonomia do jovem

Imagem de contexto do artigo Socorro, os meus filhos já não querem ir de férias em família. O que fazer?
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  • A recusa dos filhos em ir de férias com a família é apresentada pela psicoterapeuta Ângela Rodrigues como um marco de desenvolvimento, não uma rejeição.
  • A fronteira entre períodos de convivência e autonomia deve ser negociada, reconhecendo que a adolescência é a fase de individuação em que os pares ganham importância.
  • Sugere-se um meio-termo: alguns dias de convívio familiar obrigatórios (por exemplo, uma semana) e o restante tempo a cargo do jovem, desde que haja segurança e responsabilidade demonstradas.
  • Os sinais de transição costumam aparecer entre os 14 e 16 anos; a maturidade prática pode ser mais relevante que a idade cronológica.
  • Recomenda-se antecipar a conversa, ser claro e não culpabilizador, expressando desejo de presença familiar e respeito pela autonomia do jovem, sem impor as férias no último momento.

A discussão sobre férias em família tem vindo a ganhar mais expressão entre os pais, especialmente quando os filhos passam a exigir mais independência. Um estudo de caso partilhado por uma psicoterapeuta mostra que a recusa dos jovens em participar nas viagens familiares pode surgir como parte do desenvolvimento, não como rejeição.

Segundo a especialista, a fronteira entre permanência em família e autonomia não se mede em dias ou quilómetros, mas na capacidade de negociar e respeitar a autonomia crescente dos adolescentes. A adolescência aproxima os pares do grupo de referência, o que pode reduzir o apego aos planos familiares antigos.

A terapeuta destaca que exigir que um jovem permaneça em casa ou durante uma viagem contra a sua vontade tende a criar tensão e prejudicar o descanso de todos. Em vez disso, sugere um compromisso que combine períodos de convivência obrigatória com momentos geridos pelo jovem, desde que haja segurança e responsabilidade.

Sinais de transição entre 14 e 16 anos

Os primeiros sinais costumam surgir nessa faixa etária, embora a maturidade seja mais relevante que a idade. Um jovem de 15 anos com rotinas estáveis pode estar mais preparado para ficar sozinho ou com amigos do que alguém de 18 anos com comportamentos de risco.

Como conversar de forma eficaz

Antecipar o diálogo pode ser a melhor estratégia, mantendo a conversa clara e sem culpas. Em vez de exigir, deve-se explicar a vontade de espaço do jovem e perguntar como organizar as férias para assegurar tempo de família e tempo para o jovem, de forma equilibrada.

É essencial que os pais expressem que a presença do filho é valorizada, ao mesmo tempo que reconhecem a necessidade de autonomia. As férias não devem ser impostas na véspera da partida, para evitar fraturas no clima familiar.

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