- A missão Chang’e-6 recolheu basalto na bacia Aitken, no polo sul da Lua, a fim de entender a dicotomia entre as faces da Lua.
- As análises isotópicas mostram que as amostras da face oculta apresentam proporções mais elevadas do isótopo pesado do potássio do que as rochas da face visível recolhidas pela missão Apollo.
- Depois de excluir fatores como radiação cósmica e processos magmáticos posteriores, os investigadores concluem que um grande impacto primordial, há mais de quatro mil milhões de anos, provocou a perda de elementos voláteis no manto lunar.
- As temperaturas e pressões extremas desse evento teriam favorecido a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna e dificultando a geração de magma na face oculta, o que explica a menor atividade vulcânica e o relevo mais acidentado.
- A China pretende novas missões não tripuladas: Chang’e-7, para 2026, ao polo sul, e Chang’e-8, para 2029, com participação de onze países, preparando o caminho para missões tripuladas.
A missão chinesa Chang’e-6 revelou novas evidências sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua. Um estudo publicado na PNAS mostra que um impacto gigantesco alterou o manto lunar, influenciando a composição entre hemisférios.
A investigação, liderada pelo Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, analisa basaltos recolhidos na bacia Aitken, no Polo Sul, pela Chang’e-6, a maior cratera de impacto do satélite.
As amostras da face oculta apresentam menores níveis de atividades vulcânicas, apontando para uma história distinta face à visível, que recebeu lava basaltica de forma mais intensa.
Nova evidência sobre o impacto inicial
O estudo compara isótopos de potássio entre rochas da face oculta e amostras da missão Apolo, concluindo que um grande impacto há mais de 4,2 mil milhões de anos provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar.
Este evento térmico e de pressão ter-se-ia traduzido na evaporação dos isótopos leves, marcando a química interna da Lua de forma duradoura e reduzindo a geração de magma na face voltada para o espaço.
A equipa sublinha que estas alterações ajudam a explicar a diferença de relevo entre as duas faces e a menor atividade vulcânica observada no hemisfério oculto.
Contexto e perspetivas da exploração lunar
Lançada em maio de 2024, a Chang’e-6 foi a primeira missão a recolher amostras da face oculta. A China prepara novas missões não tripuladas, como Chang’e-7 (2026) ao polo sul, e Chang’e-8 (2029) com participação de 11 países.
Este progresso acompanha outros marcos do programa chinês, incluindo a primeira alunagem na face oculta com a Chang’e-4 e a missão Tianwen-1 a Marte, que posiciona a China entre as nações com presença no espaço profundo.
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