- Sul de Portugal ficou temporariamente abastecido pela Espanha após a tempestade Kristin, devido a danos na rede energética nacional, com ventos superiores a 220 quilómetros por hora a 28 de janeiro.
- A maioria da produção de eletricidade está na região Norte, o que explicou o desvio de fornecimento para o Sul através da Sk espanhol.
- A informação foi partilhada pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, durante as comemorações do Dia de Portugal em Madrid.
- A gestão de rios partilhados entre Portugal e Espanha está alicerçada na Convenção de Albufeira, com o acordo de 2024 em Faro a assegurar caudais mínimos no Tejo e caudais ecológicos no Guadiana.
- Em março, na cimeira de Huelva, os dois governos destacaram a cooperação em gestão de cheias e água, reconhecendo que a coordenação entre portarias foi crucial para evitar cenários mais graves.
O Sul de Portugal ficou temporariamente abastecido de eletricidade a partir de Espanha após a tempestade Kristin, no final de janeiro. A ligação de alta tensão entre o Norte e o Sul ficou muito afetada pela ventania de até 220 km/h a 28 de janeiro.
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, explicou que grande parte da produção energética está no Norte, o que levou o Sul a depender de Espanha nesse período. A posição foi apresentada em Madrid, durante as comemorações do Dia de Portugal.
As cerimónias oficiais em Madrid destacaram a solidariedade entre os dois países em resposta às cheias que também atingiram Portugal. O evento contou com a participação da ministra portuguesa e da ministra espanhola da Transição Ecológica, Sara Aagesen.
A saída de Portugal para o mercado ibérico foi facilitada pela coordenação na gestão de rios partilhados. Carvalho referiu a boa cooperação entre barragens portuguesas e espanholas no Tejo, que evitou cheias de grande dimensão em Lisboa.
Foi ainda mencionada a gestão do Guadiana, que permitiu antecipar impactos e retirar populações de áreas de risco, incluindo a zona baixa de Mértola. A Convenção de Albufeira regula este regime desde há 26 anos.
Em 2024, Portugal e Espanha assinaram um acordo histórico em Faro, no âmbito da Convenção de Albufeira, que assegura caudais mínimos diários no Tejo e caudais ecológicos no Guadiana. O objetivo é proteger recursos hídricos comuns.
Na cimeira seguinte, em Huelva, os dois primeiros-ministros destacaram que a cooperação ajudou a evitar situações mais graves face aos temporais deste ano. A articulação bilateral foi considerada essencial para a gestão de crises.
Além da energia e da água, a ministra sublinhou projetos de cooperação bilateral e de colaboração transfronteiriça, incluindo a recuperação do lince ibérico, reforçando o alinhamento em fóruns multilaterais.
Num recorte sobre resposta a emergências, Carvalho recordou o trabalho conjunto na recuperação da eletricidade após o apagão de abril do ano anterior. O foco mantém-se na continuidade da cooperação entre os dois países.
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