A Guerra no Irão está a acelerar a adoção de bombas de calor no Reino Unido, na tentativa de reduzir a exposição à volatilidade dos preços do gás. O movimento acontece num contexto europeu em que a Comissão Europeia faz da tecnologia uma peça fundamental para a neutralidade carbónica até 2050.
Dados da UE indicam que quase metade da energia consumida serve para aquecimento e arrefecimento, mas a maioria continua a origem fóssil, principalmente gás natural. A procura por bombas de calor tem vindo a crescer, com milhões de unidades instaladas na última década.
No Reino Unido, a taxa de adoção é mais baixa face a outros países, mas regista aumentos relevantes. Nas três primeiras semanas de março, coincidentes com o início de um conflito no Médio Oriente, as vendas subiram 51 % face ao mesmo período do ano anterior, segundo a Octopus Energy.
Investimento público e poupanças
O Governo britânico oferece o Boiler Upgrade Scheme, com apoio de 7 500 libras para instalação de bombas de calor de ar ou geotérmicas. Em Bath, Dominic King aproveitou o programa e reduziu custos da instalação para 3 500 libras, acrescentando uma bateria de 10 kWh para reduzir picos de consumo.
Em fevereiro de 2026, o mês inteiro com a bomba em funcionamento, Dominic registou menos gasto com energia em comparação ao ano anterior, 180 libras contra 255 libras. A poupança mensal é apresentada como provável a médio prazo, com previsões de equilíbrio financeiro ao longo de cerca de sete anos.
Percepções e funcionamento
Dominic descreve maior previsibilidade nas faturas e menos preocupações com variações de preços de gás. A tecnologia mantém a casa estável a cerca de 20 ºC, independentemente da temperatura externa. Entre as ideias erradas comuns, consta a noção de que as bombas não funcionam em geadas.
Especialistas explicam que as bombas de calor continuam eficientes mesmo com temperaturas negativas, já que energia útil permanece disponível no ar exterior. O instalador da Octopus Energy assegura que as fachadas das casas já costumam ter estruturas diversas, o que facilita incorporar novas soluções de aquecimento.
Perspetivas de adoção
A necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis continua a ser um motor para a expansão das bombas de calor na Europa. Estudo regional indica que o mercado cresceu em 2025, com milhões de unidades adicionais em vários Estados-membros, apoiando o objetivo de energia mais limpa no continente.
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