O director da Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que a guerra no Irão prejudicou de forma irreversível os mercados de combustíveis fósseis, apontando perturbações na oferta de petróleo e gás e o aumento dos preços da energia e de fertilizantes. Em declarações ao Guardian, Fatih Birol descreveu o impacto como “estrago já feito”.
Birol considerou que a crise terá consequências permanentes para os mercados energéticos globais durante muitos anos, sugerindo que o setor enfrenta um abalo difícil de reparar. A fala ocorre num contexto de negociações climáticas que se intensificam à boleia da situação internacional.
A conferência de Santa Marta, coorganizada pelos Países Baixos, reúne governos de grandes economias, académicos e líderes empresariais para traçar um roteiro de eliminação gradual de petróleo, gás e carvão. Entre os participantes estão Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Brasil, Canadá, Espanha, México e Austrália.
A ministra do Ambiente da Colômbia, Irene Vélez-Torres, participou na cimeira e reforçou que a transição energética é essencial para segurança energética e soberania climática. argumenta que a dependência de combustíveis fósseis suscita riscos de escassez e manipulação de mercados.
Os EUA mantêm posição de controlo sobre a AIE, com Chris Wright à frente do Departamento de Energia a exigir foco separado da transição climática num relatório anual, enquanto o governo norte-americano financia uma parcela relevante do orçamento da agência.
A conferência em Santa Marta decorre até 29 de abril e serve como passo inicial para futuras reuniões, que deverão detalhar planos para retirar gradualmente os combustíveis fósseis sem afectar empregos, empresas e receitas públicas.
Os resultados da reunião devem influenciar as deliberações da próxima cimeira climática da ONU, agendada para novembro naTurquia. O movimento visa consolidar um consenso entre as grandes economias para acelerar a descarbonização a nível global.
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