O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, disse que a normalidade no abastecimento energético levará muito tempo, mesmo que o estreito de Ormuz fosse reaberto de imediato. O alerta foi dado numa entrevista à rádio France Inter.
Birol explicou que há instalações de energia e petróleo no Golfo Pérsico que ficaram gravemente danificadas, o que prolonga a recuperação da atividade comercial até mesmo após a resolução do bloqueio. A estimativa de dois anos para retornar aos níveis prévios de produção foi reiterada, com processo gradual.
A AIE afirmou que a crise atual é a maior da história em termos de energia, afetando não só o petróleo, mas também o gás, fertilizantes e outros petroquímicos. O atraso na normalização pode desacelerar o crescimento económico e agravar dificuldades, principalmente em países em desenvolvimento.
No relatório mensal sobre o mercado do petróleo, de 14 de abril, a agência indicou que a produção global caiu 10,1 milhões de barris por dia em março, devido à guerra no Médio Oriente — a maior queda já registada. As exportações do Golfo Pérsico sofreram perdas de 13 mb/d com o bloqueio do estreito de Ormuz.
Essa redução foi parcialmente compensada pela utilização de reservas cada vez mais escassas, o que levou a AIE a rever em baixa as perspetivas de procura de petróleo. Birol comentou que, por enquanto, a Rússia tem vindo a beneficiar-se da crise, com receitas petrolíferas a duplicarem em março.
A agência destacou ainda que, a longo prazo, a crise poderá provocar uma reconfiguração do mapa energético, lembrando o choque de 1973, quando muitos países passaram a apostar em centrais nucleares para reduzir a dependência de hidrocarbonetos.
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