A Greenpeace Portugal defende que descarbonizar Portugal até 2040 é tecnicamente viável e economicamente vantajoso, com benefícios que começam a surgir já. O estudo Energia para viver melhor, encomendado pela Greenpeace Espanha e Portugal e elaborado pelo Institute for Sustainable Futures da Universidade Tecnológica de Sydney, sustenta que eliminar a dependência de importações de gás e petróleo pode poupar cerca de 7 mil milhões de euros por ano.
O relatório analisa a Península Ibérica e propõe um caminho de emissões líquidas zero até 2040, antecipando em uma década os objetivos da UE. A fundamentação assenta em três pilares: suficiência energética, eficiência e energia 100% renovável, com electrificação direta e abandono gradual dos fósseis, sem recorrer à energia nuclear.
A análise sustenta ainda que Portugal dispõe de recursos renováveis suficientes — sobretudo solar e eólico — para sustentar essa trajetória sem depender de importações externas. O estudo afirma que a transição pode ser financiada pela redução das importações de gás e petróleo, mantendo os investimentos necessários em renováveis e infraestruturas elétricas.
Transição ibérica integrada
No conjunto da Península Ibérica, o cenário de suficiência pode gerar poupanças de cerca de 32 mil milhões de euros por ano em custos com combustíveis, com investimentos anuais estimados em 27 mil milhões. A modelação horária demonstra a viabilidade de um sistema 100% renovável sem energia nuclear, mediante interligações regionais, armazenamento e geração descentralizada.
Impactos económicos e sociais
O relatório aponta que a transição não é apenas ambiental, mas também económica, com custos médios anuais de cerca de 3,4 mil milhões até 2040, inferiores aos 3,6 mil milhões associados ao cenário atual. A redução da procura de gás e petróleo justificaria o financiamento dos investimentos em renováveis e redes elétricas nacionais, incluindo reabilitação do parque edificado.
Habitação, transporte e indústria
Para Portugal, projeta-se uma redução de 26% no consumo no setor industrial e 20% nos edifícios até 2040, através de electrificação, eficiência e melhoria da habitação existente. No transporte, o modelo aposta na electrificação da frota, mais transporte público e mobilidade activa, com quedas significativas na procura de energia do setor aéreo, até 2040.
Observatório de governança e implementação
O relatório enfatiza que a tecnologia necessária já existe e que a principal barreira é política. Defende, ainda, a adopção de um Contrato Social Verde para acelerar a transição, destacando a importância de ações rápidas para reduzir pobreza energética e fortalecer a soberania energética. A visão é de uma Península Ibérica com energia mais barata, segura e menos dependente de combustíveis fósseis.
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