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Um terço dos espanhóis acredita que as renováveis causaram o apagão ibérico

Um terço dos espanhóis atribui o apagão ibérico às energias renováveis, evidenciando desconfiança pública e o debate sobre o modelo energético

15% dos espanhóis questionam as alterações climáticas, de acordo com um inquérito da Fundação BBVA
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Após seis meses de investigação, a ENTSO-E publicou o relatório final sobre as causas do apagão generalizado na Península Ibérica e parte do País Basco francês, que completa um ano desde o incidente. O estudo de 472 páginas envolve quase 50 especialistas europeus e aponta falhas de flutuação de tensão como origem das desconexões e sobretensões que desencronomizaram a rede ibérica.

O documento detalha que os desequilíbrios elétricos geraram interrupções generalizadas e incoordenação entre a rede de Espanha e Portugal com o restante do continente. A conclusão reforça que o problema não está ligado apenas a falhas pontuais, mas a uma cadeia de fatores técnicos na operação da rede.

Perceção pública sobre energias renováveis

Em 2026, a Sigma Dos promoveu uma análise sobre a opinião pública em relação à energia solar, incluindo aspetos sobre alterações climáticas e o incidente de 28 de abril de 2025. Os dados mostram que 32,8% acusam a preponderância das renováveis no cabaz energético, enquanto 43,3% atribuem o apagão a falhas nas centrais ou a desconexões por segurança.

Cerca de 10,7% apontaram para ciberataques, teoria desmentida no dia do evento. A sondagem também revela diversidade de leituras entre partidos e frações eleitorais, com variações na perceção de riscos climáticos conforme o nível de conhecimento científico.

Especialistas destacam que o apagão ocorreu numa conjuntura de debates técnicos sobre encerramento de centrais e sobre a rede. Observam ainda que a narrativa pública sobre energias renováveis é multifacetada, refletindo tensões entre políticas, interesses regionais e pressões económicas.

Pere Jurado, especialista em comunicação climática, aponta uma desconexão entre valores sociais e ações governamentais, exacerbada por discursos alarmistas. O debate entre renováveis e nuclear permanece polarizado, influenciando a perceção pública e as políticas energéticas.

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