- O corpo em crescimento não é um adulto em miniatura; ossos, músculos e ligamentos não acompanham o mesmo ritmo de desenvolvimento, aumentando o risco de lesões com cargas inadequadas.
- Dores persistentes não devem ser normalizadas como “dor do crescimento”; sinais de alerta exigem avaliação ortopédica rápida.
- Lesões comuns em jovens ativos incluem apofisites, tendinites, dores articulares precoces e lombalgias, frequentemente associadas a treino excessivo ou repetitivo.
- Factores de risco: excesso de treinos, pouca recuperação, ausência de variedade de modalidades e especialização precoce numa só prática.
- Para prevenir, é essencial ajustar a carga à idade, promover descanso, diversificar movimentos, ouvir as queixas e recorrer a uma avaliação médica quando surgir dor persistente.
A prática desportiva na infância e na adolescência é fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e social. Jovens atletas apresentam melhor saúde cardiovascular, coordenação e autoestima. No entanto, a dor não é uma consequência inevitável do crescimento.
Quando há queixas persistentes, a expressão dor do crescimento pode esconder sinais ortopédicos relevantes. Crescer não deve doer, e a origem da dor merece avaliação médica atempada para evitar danos mais graves.
O corpo em crescimento não é um adulto em miniatura. Ossos, músculos, tendões e ligamentos crescem a ritmos diferentes, e as cartilagens de crescimento são particularmente vulneráveis à sobrecarga mecânica. Vai-se formando uma fragilidade perante cargas repetitivas.
Lesões mais frequentes em jovens atletas
Inflamações nas zonas de crescimento dos ossos (apofisites) são comuns em corrida, salto e modalidades como futebol e atletismo, especialmente no joelho e no calcanhar. Tendinites surgem pela repetição de movimentos sem recuperação suficiente.
Dores articulares precoces aparecem por excesso de carga, má adaptação ao treino ou desequilíbrios musculares. Lombalgias relacionam-se com fraqueza abdominal e lombar, técnica inadequada ou esforço excessivo para a idade. Repetição de movimentos na mesma modalidade aumenta o risco.
Estas situações resultam, na maioria, de microtraumatismos repetidos e de períodos curtos de descanso. A progressão para lesões complexas é mais provável quando não há recuperação adequada.
Dor no crescimento: mito a desmistificar
A dor persistente localizada ou limitante não é parte normal do crescimento. Sinais de alarme justificam avaliação ortopédica: dor repetida na mesma zona, piora com treino, interrupção da atividade, dor nocturna ou alterações da marcha.
Ignorar estes sinais pode atrasar diagnóstico e agravar lesões. A intervenção precoce ajuda a manter a prática desportiva com menor risco de danos a longo prazo.
Excesso, pressão e uso de uma só modalidade
A competitividade no desporto jovem, associada a resultados rápidos, favorece excesso de treinos, falta de descanso e especialização precoce. O corpo em crescimento requer variedade de estímulos e recuperação adequada.
Mais treino não implica melhor desenvolvimento; pode aumentar o risco de lesões. A monitorização técnica e médica é essencial para ajustar cargas, recuperações e progressões.
Prevenir é proteger o futuro
A prevenção passa por ajustar a carga à idade, garantir períodos de descanso, promover diversidade de movimentos e ouvir as queixas da criança. Avaliação médica especializada deve ocorrer ante sinais persistentes.
A consulta ortopédica deve ser encarada como ferramenta preventiva, orientando ajustes necessários para manter a prática desportiva com segurança.
Conclusão: movimento, não dor
O desporto na infância e adolescência deve promover saúde, não dor crónica. Crescer com movimento é essencial, mas crescer com dor não é normal. Identificar sinais, agir atempadamente e respeitar a fisiologia do crescimento é investir no futuro músculo-esquelético. Prevenir continua a ser a melhor forma de cuidado.
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