Manuel Vicente da Cruz Gaspar, conhecido como “o Puto” ou “comandante Paulo”, foi alvo de uma confissão sobre atentados praticados em Portugal entre fevereiro e agosto de 1976. O homem, descrito como mercenário, admitiu a autoria de várias ações desse período. A prisão ocorreu nessa altura, em Portugal.
Gaspar é também associado à maior fuga de cadeia já registada no país, planeada e executada enquanto esteve detido. Depois de regressar à guerra em Angola, estabilizou-se posteriormente na África do Sul. Recentemente, apareceram relatos de alegadas fraudes envolvendo o antigo Governo angolano.
Trajetória militar e prisões
Segundo o livro O Puto, de Ricardo Saavedra (Quetzal, 2014), Gaspar nasceu em Montepuez, Moçambique, e integrou a 3.ª companhia de Comandos na região, sob a orientação de Jaime Neves. A primeira fuga ocorreu após prisão por roubo de granadas destinadas à FRELIMO.
A segunda evasão aconteceu no campo de reeducação na Tanzânia, após uma rusga na fronteira com Moçambique. O percurso seguinte levou-o de volta à atividade militar na Angola colonial e, mais tarde, à vida em África do Sul.
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