- René Redzepi, chefe do Noma, demitiu-se na quarta-feira, 11, após denúncias de ex-funcionários sobre abusos na cozinha de há vários anos.
- A notícia foi publicada pelo The New York Times e traz relatos de 35 antigos trabalhadores entre 2009 e 2017, envolvendo agressões físicas, humilhação pública e intimidação.
- Entre os relatos estão socos, empurrões e situações em que o chef humilhava funcionários perante os colegas, além de alegações de comentários sexuais inadequados dirigidos a DJs.
- Redzepi reconheceu a violência na cozinha, disse que a demissão não apaga o passado e assumiu a responsabilidade, acrescentando que precisa tornar-se um líder melhor; o Noma continua aberto.
- O grupo mantém as suas equipas ativas nos restaurantes de Copenhaga e de Los Angeles, que permanecem em funcionamento.
René Redzepi, chef do Noma, acabou por anunciar a demissão na quarta-feira, 11, após denúncias de ex-funcionários sobre abusos na cozinha. O restaurante, localizado em Copenhaga, foi vencedor repetidamente do título de melhor do mundo, mas está a enfrentar uma crise interna desde a publicação de relatos de antigos colaboradores.
As acusações detêm-se em práticas abusivas entre 2009 e 2017, incluindo agressões físicas, humilhação pública, intimidação psicológica e assédios direcionados a familiares dos trabalhadores. O The New York Times veiculou relatos de pelo menos 35 ex-funcionários a quem foram atribuídos comportamentos inadequados no refeitório e nas áreas de serviço.
Redzepi, de 48 anos, gravou um vídeo onde informou aos empregados a sua decisão de se afastar do restaurante em funcionamento há 23 anos. O chef reconheceu que as mudanças ocorridas recentemente trouxeram uma vasta discussão sobre a cultura da casa e a liderança, admitindo que assumia responsabilidades pelos atos atribuídos.
A cobertura do diário norte-americano descreve episódios específicos, incluindo um caso em que um funcionário foi alvo de insultos repetidos por colocar música techno, estilo que não agrada ao chef. Segundo o relato, o agressor levou o empregado a ouvir um discurso de humilhação público que terminou com um ataque físico.
Outros relatos referem-se a uma funcionária atingida com um soco após pegar no telemóvel para baixar o volume da música. A vítima caiu, bateu com o corpo numa bancada de metal e ficou ferida, sem auxílio imediato de colegas. O episódio ocorreu num salão de jantar onde o uso do telemóvel era proibido.
A imprensa descreve ainda um quadro de intimidação constante, com elogios à reputação da cozinha a contrastar com a violência relatada por quem lá trabalhou. O Noma mantém-se aberto, com as equipas de Copenhaga e de Los Angeles a laborarem normalmente.
Reação do chef e consequente afastamento
Redzepi afirmou que as últimas semanas proporcionaram momentos de reflexão sobre o papel dele na liderança e no funcionamento do restaurante. Reconheceu falhas na gestão e afirmou que o Noma tem implementado mudanças para transformar a cultura interna, embora tenha admitido que um pedido de desculpas não compensa o que ocorreu.
Situação atual do Noma
O Noma, em Copenhaga, continua em funcionamento e não divulgou medidas adicionais específicas para as equipas afetadas. Em Los Angeles, o estabelecimento associado também permanece operativo, com as equipas a manterem as suas funções. A direção não confirmou qualquer investigação formal ou sanções adicionais naquele momento.
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