- O narrador relembra o divórcio dos pais, ocorrido em 1975, quando tinha oito anos, e a rotina de visitas do pai aos fins de semana.
- O pai saía do apartamento nas Avenidas Novas, Lisboa, para buscar dois dos quatro irmãos e trazia-os de volta ao domingo.
- Durante as visitas, a mãe servia água tónica, queijo de São Jorge, tostas e azeitonas, enquanto o pai lia em voz alta um romance.
- Anos depois, compreenderam que as visitas tinham o objetivo de ouvir a leitura, feitas cada um à vez, sem estarem juntos.
- Entre os livros lidos estavam os três primeiros romances de António Lobo Antunes, publicados em 1979 e 1980; a escrita dele tornou-se para o narrador um segredo vergonhoso, e ele passou a sentir-se como um irmão acidental.
Foi revelado um texto em que um autor recorda a relação familiar com António Lobo Antunes, destacando a presença do escritor na sua infância. O conteúdo revela memórias de um lar em Lisboa, marcada pela separação dos pais em 1975.
O narrador descreve o pai, que após a separação passava fins de semana em casa, trazendo dois dos quatro irmãos. O ritual incluía refeições simples, água tónica e leitura em voz alta de um romance escolhido. Depois de algumas horas, o pai e a mãe saíam, retornando apenas mais tarde, separadamente.
Entre as obras lidas aos filhos, destacaram-se os três primeiros romances de António Lobo Antunes, publicados em 1979 e 1980. O texto sugere que esses momentos foram decisivos para a descoberta do nome do autor, associando a leitura familiar ao seu percurso literário.
Ao longo da narrativa, o autor revela que a escrita do irmão se tornou parte de um segredo familiar, assumindo um papel íntimo na sua história pessoal. A relação entre os irmãos é apresentada como o eixo que moldou a descoberta do próprio gosto pela literatura.
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