- Um novo relatório da OCDE indica que as chegadas internacionais chegaram a cerca de 847 milhões em 2025, mais 3,4% face a 2024, com um terço dos países esperando superar em 2025 os níveis de 2025 e bater recordes.
- Em 2025, Finlândia, Japão, Coreia do Sul e Noruega registaram crescimentos de dois dígitos nas chegadas, enquanto Canadá, Alemanha, Irlanda e Estados Unidos ficaram abaixo dos níveis pré-pandemia; Israel sofreu quedas acentuadas.
- Conflitos no Médio Oriente e a inflação dos custos alteraram fluxos turísticos, levando viajantes a preferirem destinos mais familiares e mais baratos, com permanências mais curtas.
- O relatório sublinha a necessidade de preparar crises, com sistemas de alerta precoce, avaliação de riscos e adaptação dos planos de turismo a cenários geopolíticos, económicos e meteorológicos.
- São sugeridas medidas para turismo mais responsável: distribuir fluxos de visitantes, incentivar certificações para negócios locais e implementar taxas, horários de entrada e promoções para destinos secundários e viagens fora da época alta.
As chegadas de turistas internacionais aos países da OCDE aumentaram cerca de 3,4% em 2025, para 847 milhões. O relatório hoje divulgado aponta que a incerteza geopolítica e fenómenos meteorológicos extremos continuam a moldar o setor.
A notícia é que um terço dos países da OCDE espera superar 2025 já neste ano, com vários a registar novos máximos. No entanto, há disparidades entre os Estados-membros.
Entre os que registaram crescimentos de dois dígitos, destacam-se Finlândia (+16,5%), Japão (+15,8%), Coreia (+15,7%) e Noruega (+12,5%). A recuperação de 2024 potenciou estes números.
Em contrapartida, Canadá, Alemanha, Irlanda e Estados Unidos viram quedas em 2025, com menos de 1% a menos no Canadá e quedas entre 0,6% e 5,5% nos restantes.
O turismo receptivo em Israel também caiu fortemente, com chegadas bem abaixo dos níveis pré-pandemia, devido aos conflitos no Médio Oriente (queda de 70,8%).
Viajantes ajustam hábitos
O relatório mostra que o conflito no Médio Oriente perturbou fluxos de viagem e elevou custos, afetando a confiança dos viajantes. Países da região e destinos dependentes do Golfo são os mais impactados.
A OCDE aponta que a segurança, custos e cancelamentos potenciais influenciam decisões. Viajantes podem preferir destinos familiares, estadias mais curtas e opções de menor custo.
As companhias aéreas e operadores ajustam programas para 2027 e depois, com destinos a adaptar padrões de viagem aos riscos geopolíticos, económicos e meteorológicos.
Destinos vulneráveis a condições meteorológicas extremas
Fenómenos como calor intenso, incêndios e ciclones influenciam a escolha de destinos. O relatório defende incorporar avaliação de riscos e sistemas de alerta precoce no planeamento turístico.
Alguns destinos já lançaram aplicações de alerta multilingues, com avisos em tempo real sobre tempestades, incêndios e calor extremo, para viajantes.
Também se apela a investimentos em infraestruturas resilientes e soluções baseadas na natureza, para enfrentar eventos cada vez mais intensos.
Tornar o turismo mais responsável
O estudo defende que os destinos assegurem benefícios locais, gerindo o crescimento e distribuindo fluxos por zonas preparadas.
Sugere certificação para negócios locais, turismo comunitário e incentivos para gastar fora das grandes cadeias. Medidas como taxas, limites de visitantes e horários de entrada podem ser consideradas.
Além disso, combinações de destinos com “segundas cidades” e viagens em época fora de pico devem ajudar a dispersar multidões.
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