- Em 2023, 12,9% das pessoas na União Europeia continuaram a trabalhar nos seis meses seguintes à primeira pensão de velhice.
- A razão principal não é apenas o gosto pelo trabalho (36,3%), mas também a necessidade financeira (28,6%).
- Existe grande variação entre países: 1,7% na Roménia e 54,9% na Estónia continuam a trabalhar após a reforma, com valores elevados em Letónia (44,2%), Suécia (41,7%) e Chipre (29,7%).
- Quando se junta quem trabalha após a reforma e quem aponta necessidade financeira como razão principal, o total na UE é de 3,7%, com Letónia (21,2%) e Chipre (20,3%) no topo; Espanha apresenta 1% e Itália 2,8%.
- Reformados estão hoje mais saudáveis e bem preparados, e as empresas têm normas mais favoráveis à contratação de trabalhadores após a idade de reforma. Ainda assim, em alguns países mais pobres muitos gostariam de trabalhar, mas não encontram emprego.
Cerca de 13% dos pensionistas na União Europeia (UE) continuam a trabalhar após o início da reforma. A necessidade financeira é um fator relevante, mas não o único, com especialistas a apontarem também mudanças nas normas, alterações demográficas e persistentes faltas de mão-de-obra.
Os rendimentos das pensões ficam abaixo dos salários ao final da carreira em todos os países europeus. Em 2023, quem recebia 100 € entre os 50 e 59 anos via render apenas 58 € de pensão entre os 65 e 74 anos. Esta disparidade contribui para o risco de pobreza entre pensionistas, estimado em quase um em cada seis na UE.
Em 2023, 12,9% das pessoas da UE continuaram a trabalhar nos seis meses após receberem a primeira pensão de velhice. A variação entre países é elevada, indo de 1,7% na Roménia a 54,9% na Estónia.
Variação entre países
Entre as nações com maior proporção de reformados ativos, destacam-se Letónia (44,2%), Lituânia (43,7%) e Suécia (41,7%). Chipre regista 29,7%, Noruega 37,7% e Finlândia 28,5%. Países com níveis baixos incluem Roménia (1,7%), Grécia (4,2%), Espanha (4,5%) e Croácia (5%).
Entre aqueles que continuam a trabalhar, a necessidade financeira é o principal motivo para alguns, com variabilidade entre 9,4% na Suécia e 68,5% no Chipre. A percepção de rendimentos insuficientes levou a que parte dos reformados continue a trabalhar.
Motivos para continuar a trabalhar
Na Roménia e na Bulgária, mais da metade dos pensionistas que continuam a trabalhar o faz por necessidade financeira. Em Portugal, 39% dos reformados que trabalham referem necessidade financeira, semelhante à média da UE. Espanha apresenta a taxa mais baixa entre grandes economias, com 19,6%.
A pesquisa aponta que a necessidade financeira decorre da insuficiência de rendimentos de pensões em países com pensões menos elevadas. Em contraste, alguns países com melhores pensões também registam continuidade de trabalho por motivos de interesse pessoal e integração social.
Tendências e implicações
Especialistas destacam que reformados saudáveis e bem qualificados mantêm ligação ao mercado de trabalho, contribuindo para a reserva de força de trabalho. Mudanças normativas, sobretudo no ambiente empresarial, também ampliam a participação de reformados no mercado.
Há ainda quem deseje trabalhar mas não encontre emprego, particularmente em países com níveis mais baixos de renda adicional. A possibilidade de trabalhar na idade ativa é vista como parte de uma estratégia de envelhecimento ativo, promovendo flexibilidade de transição entre trabalho e reforma.
A relação entre necessidade financeira e o rendimento de pensões não é linear. Embora a necessidade financeira degrade a perceção de rendimento, o fenómeno resulta de fatores complexos, incluindo saúde, educação e condições do mercado de trabalho.
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