- O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros e António Guterres discutiram a aplicação do memorando de entendimento com os EUA e a situação no Estreito de Ormuz, com o secretário-geral da ONU a saudar avanços.
- A conversa, anunciada pelo ministro nas redes sociais, centrou-se na implementação do memorando entre Washington e Teerão para o fim das hostilidades e nos desenvolvimentos das negociações, depois de reuniões em Doha com Qatar e Paquistão.
- Guterres elogiou a retomada do diálogo entre Washington e Teerão e pediu que as partes mantenham o compromisso de progressão nos 14 pontos do memorando; a subsecretária-geral Elizabeth Spehar destacou a redução de tensões.
- Segundo mediadores do Qatar, as negociações técnicas indiretas sobre a implementação do memorando devem continuar o mais breve possível, após o funeral do líder supremo iraniano; o memorando entrou em vigor a 18 de junho.
- O memorando prevê suspensão de hostilidades, não construção de armas nucleares e criação de um mecanismo para diluição de urânio; o Irão e os EUA enfrentam também ataques recentes e riscos de escalada no Estreito de Ormuz.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão manteve, nesta quinta-feira, contatos com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para discutir a aplicação do memorando com os EUA e a situação no Estreito de Ormuz. O responsável iraniano também atualizou as novidades através das redes sociais.
A reunião enquadra-se na retomada das negociações entre Washington e Teerão, após encontros separados com o Qatar e o Paquistão em Doha. O foco foi a implementação do memorando, o fim das hostilidades na região e os desenvolvimentos das negociações em curso.
O secretário-geral da ONU saudou a reabertura do diálogo entre as duas potências e incentivou ambas as partes a progredirem nos 14 pontos do memorando, segundo o porta-voz Stéphane Dujarric. A subsecretária-geral Elizabeth Spehar realçou a importância de reduzir tensões e manter o diálogo.
Ambiente diplomático e contexto recente
Spehar lembrou, numa sessão do Conselho de Segurança, o impacto de ataques recentes e o risco de escalada. O Bahrein pediu a atenção ao contexto, destacando a fragilidade da situação. O Apelo foi por moderação e cooperação entre as partes.
Conforme mediadores do Qatar, as negociações técnicas indiretas sobre o memorando devem prosseguir após o Funeral do Líder Supremo iraniano, que se realiza entre o próximo fim de semana e 9 de julho. Doha indicou avanços positivos em pontos do memorando.
Detalhes do memorando e respostas regionais
O memorando entrou em vigor a 18 de junho, assinado eletronicamente pelo presidente iraniano e pelo seu homólogo dos EUA. O acordo suspende hostilidades e prevê a não proliferação nuclear do Irão, com monitorização pela AIEA e diluição de urânio enriquecido.
O texto concede 60 dias para negociação de um acordo de paz definitivo. Em paralelo, o Irão comunicou estar preparado para criar um canal de comunicação para sinalizar violações do acordo, segundo relatos veiculados pela imprensa iraniana.
Perspetivas no Estreito de Ormuz
Após ataques a dois navios na semana anterior, os EUA responderam com ataques aéreos no Irão, seguidos de retaliação iraniana contra aliados no Bahrein e no Kuwait. O Exército iraniano reforçou a necessidade de uso da rota designada para o trânsito seguro.
O Comando Unificado de Operações do Irão advertiu que desvios de rota ou incumprimento de protocolos serão punidos com resposta rápida. Foi ainda enfatizado que ações americanas no estreito poderão ser interpretadas como ameaça à soberania nacional.
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