A energia solar nos telhados britânicos está a permitir cinco horas diárias de funcionamento de ar condicionado durante a vaga de calor. Segundo a análise do think tank Ember, uma casa típica com painéis solares pode ligar o AC por cerca de cinco horas por dia nesta vaga. O estudo aponta que, nos dias 21 e 22 de junho, uma instalação típica gerou 15 MWh, suficiente para alimentar um sistema de ar condicionado de 3 kW durante toda a casa.
No conjunto de habitações com painéis solares no teto no Reino Unido, a produção diária correspondeu a cerca de 10 milhões de horas de ar condicionado abastecidas por energia solar, durante as alturas mais quentes. O relatório destaca que a capacidade solar pode, assim, mitigar a procura por eletricidade em períodos de pico.
A Agência Internacional de Energia apresenta uma perspetiva mais ampla: o arrefecimento consome cerca de 2 100 TWh de eletricidade por ano, o que representa 7% da eletricidade mundial. Em 2022, os sistemas de arrefecimento contribuíram com perto de 1,0 mil milhões de toneladas de CO2.
Apesar de avanços de eficiência, as emissões associadas ao ar condicionado mantêm-se relevantes. A UE planeia eliminar progressivamente os gases fluorados usados nos aparelhos, substituindo-os por refrigerantes mais amigos do clima, com a introdução de opções como hidrocarbonetos e CO2.
Entretanto, analistas alertam para o risco ambiental dos sistemas de ar condicionado, que envolvem o uso de refrigerantes potentes e, em alguns cenários, podem exceder as emissões de CO2 de determinados anos. A projeção a médio prazo aponta para um aumento significativo do parque de ar condicionado no mundo.
A União Europeia e o Reino Unido preparam-se para reduzir o impacto climático do arrefecimento, com planos que avançam para a proibição de gases fluorados em aparelhos pequenos até 2032 e para a desativação de todos os HFC até 2050. A transição envolve custos de instalação e eficiência energética.
A questão de fundo continua centrada na relação entre energia limpa e consumo de ar condicionado. Grandes cidades enfrentam o fenómeno de ilha de calor urbana, que intensifica o desconforto térmico. A pesquisa aponta para a necessidade de soluções equitativas de arrefecimento público.
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