Uma enfermeira-chefe do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro (CMRRC) – Rovisco Pais, na Tocha, é acusada pelo Ministério Público de peculato. A fraude envolve 7.921,90 euros pertencentes a um utente de 85 anos, internado na instituição há mais de três décadas.
Em 2019, a enfermeira passou a ser responsável pelo levantamento mensal da pensão de reforma do utente, portador de Hansen (lepra) e com dificuldades físicas para deslocar-se aos CTT. Dispunha de uma procuração que lhe dava acesso ao valor mensal atribuído pela Segurança Social.
O procedimento previa que, após o levantamento, uma parte fosse destinada a despesas do doente, e o restante fosse entregue aos serviços financeiros da instituição. Entre março de 2020 e setembro de 2021, o pagamento à instituição deixou de ocorrer, gerando suspeitas na contabilidade.
A arguida, hoje com 64 anos e residente na Figueira da Foz, devolveu o montante em quatro prestações, alegando atraso pela pandemia. A Polícia Judiciária do Centro não aceitou a justificação, mantendo a investigação.
Contexto institucional
No passado, o levantamento de dinheiro era feito pelas freiras da Congregação de São Vicente Paulo. Com a mudança de residência para Lisboa, a enfermeira passou a assumir a tarefa, sendo, à data, a única utente com lepra na unidade.
Património e legado da unidade
A instituição é uma antiga leprosaria, inaugurada em 1947 e ainda hoje alberga dois utentes com cerca de 90 anos, ex-hansenianos, que permanecem com sequelas da doença.
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