- Um tribunal britânico condenou dois cidadãos com dupla nacionalidade chinesa e britânica por espionagem contra dissidentes de Hong Kong no Reino Unido, em nome da China.
- Peter Wai, de quarenta anos, ex-responsável da Border Force, recebeu dez anos de prisão, e Bill Yuen, de sessenta e cinco, foi condenado a oito anos, por Policiais clandestinos.
- A juíza Bobbie Cheema-Grubb afirmou que as ações foram deliberadas, concertadas e graves, causando dano real e significativo aos visados.
- Wai consultou o sistema informático do Ministério do Interior para localizar pessoas de interesse para as autoridades de Hong Kong, recolhendo informações por ordem de Yuen, então diretor sénior do HKETO.
- As atividades visaram dissidentes e manifestantes pró-democracia no Reino Unido, coincidindo com recompensas de cerca de 100 mil libras por informações sobre ativistas no país.
O Reino Unido condenou dois cidadãos com dupla nacionalidade chinesa e britânica por espionagem a dissidentes de Hong Kong no território britânico, em nome da China. A decisão foi anunciada no Old Bailey, em Londres, na quinta-feira, com as penalizações a entrar em vigor após o veredito de culpabilidade anterior, em maio.
Peter Wai, de 40 anos, antigo responsável da Border Force, recebeu 10 anos de prisão. Bill Yuen, de 65, ex-policía de Hong Kong, foi condenado a oito anos. As autoridades consideraram as ações de ambos deliberadas, concertadas e graves, capazes de provocar dano significativo aos visados.
Wai integrava a Border Force e já tinha passado pela polícia britânica e pela Marinha Real. A acusação sustenta que ele acedeu ao sistema informático do Ministra do Interior para identificar pessoas de interesse para as autoridades de Hong Kong, a mando de Yuen, então diretor sénior do HKETO em Londres.
Contexto e enquadramento
O tribunal ficou ainda a saber que os dois indivíduos efetuaram recolha de informações, vigilância e outras ações para um serviço de informações estrangeiro, sob a lei de segurança nacional. As atividades procuravam dissidentes de Hong Kong e manifestantes pró-democracia presentes no Reino Unido, com especial atenção a políticos de destaque como Iain Duncan Smith.
As investigações apontaram para controlo de informação, constituição de dossiers e, num caso, fotografia de Nathan Law, ativista conhecido. Estas operações coincidiram com recompensas oferecidas pelo governo de Hong Kong, de cerca de 100 mil libras, por informações que identificassem ativistas que residem no Reino Unido.
O caso surge num contexto de tensões entre Pequim e Londres desde que Hong Kong reforçou a sua segurança com legislação controvertida. O atual governo britânico tem procurado reparar relações, ao mesmo tempo que mantém a pressão sobre práticas de espionagem.
Reação oficial
A ministra da Segurança, Angela Eagle, afirmou que as sentenças enviam uma mensagem clara de que o Reino Unido não tolera violações às leis e à segurança por parte de Estados estrangeiros. O governo reiterou a intenção de responsabilizar a China por ações que ponham em risco a segurança pública.
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