Arlindo Oliveira, presidente do INESC e membro do comité de acompanhamento da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, afirma que não existe um plano para uma utilização integrada da IA no Estado. A afirmação surge num diagnóstico sobre a redução da burocracia e sobre o impacto de projetos como o Amália, que já está a ser utilizado, mas cuja tradução em ganhos de produtividade fica por confirmar.
O responsável explica que o Estado tem falhado na simplificação de processos públicos. Sobre o projecto Amália, refere que o modelo funciona e tem sido aplicado na educação e nos media, mas não garante resultados imediatos de produtividade. O objetivo de uma visão integrada de IA no Estado não está ainda consolidado.
Contexto europeu e regulação
Oliveira aborda a postura europeia frente à IA. A Europa procura reduzir dependências externas, fomentar o uso de máquinas no território nacional e incentivar empresas europeias, com mecanismos regulatórios que promovem autonomia tecnológica. No entanto, o especialista sublinha a dificuldade de conciliar proteção regulatória com competitividade.
Quanto à regulação norte-americana, o técnico aponta tensões políticas que influenciam decisões sobre acesso a modelos avançados. A China e os EUA mantêm domínio tecnológico, o que introduz desafios para o desenvolvimento de IA na Europa. A necessidade de estratégias robustas para uma política tecnológica europeia é destacada.
O estado do Amália
O Amália é descrito como um modelo de cerca de 9 mil milhões de parâmetros, ainda não pronto para lançamento público. A disponibilização é reservada a usos internos, com acesso limitado a empresas, serviços ou instituições interessadas. Recursos de salvaguarda e custos de uso justificam a escolha.
O responsável salienta que o uso já se verifica no setor público, especialmente na AMA e na educação. A consolidação de uma visão integrada de IA no Estado, que envolva atualização de processos e sistemas, permanece como desafio de implementação a médio prazo.
Educação e formação
A integração da IA nos currículos preocupa pela potencial perda de competências cognitivas se os alunos dependerem excessivamente de modelos. A necessidade de avaliação sólida e de formação de docentes é realçada, com sugestões para manter fundamentos de matemática, física e lógica, aliadas a metodologias que assegurem aprendizagens efectivas.
Para garantir avaliações fiáveis, aponta-se para equilíbrio entre projetos e provas, mantendo exercícios manuais ou orais em alguns momentos. A preocupação é assegurar que o ensino mantenha competências essenciais, mesmo com a ubiquidade de ferramentas de IA.
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