- Trump ameaçou impor uma tarifa de 100% sobre vinho e champanhe franceses, a menos que a França abole o imposto sobre serviços digitais.
- A França implementou, em 2019, um imposto de 3% sobre as receitas geradas no país por grandes grupos tecnológicos.
- Macron deverá receber Trump antes da cimeira do G7, em Evian, reforçando as tensões comerciais entre os dois países.
- Os Estados Unidos são o principal destino das exportações de vinhos franceses, representando 21% do total no último ano.
- As exportações de vinhos e bebidas espirituosas franceses para os EUA caíram 21% no ano passado; já existe uma tarifa de 15% sobre estas bebidas no mercado norte-americano.
Donald Trump voltou a responder à taxa francesa sobre serviços digitais com uma ameaça de tarifa de 100% sobre vinho e champanhe franceses, caso Paris mantenha o imposto. A revelação foi divulgada pelo New York Post na segunda-feira, antes da cimeira do G7 em Evian.
O imposto sobre serviços digitais francês, criado em 2019, incide sobre as receitas de grandes empresas tecnológicas operando no país. A França aplica uma taxa de 3% a empresas como Facebook/Meta, Amazon, Apple e Alphabet.
Macron tem encontro marcado com Trump na véspera do G7, em Evian, às margens do lago Léman. O Presidente francês deverá receber o homólogo norte‑americano antes da reunião doschefes de Estado.
Trump afirmou ter pedido a Macron para não taxar as empresas americanas. Caso a França persista, o líder republicano diz que o «pacote» seria a aplicação de tarifas de 100% sobre vinhos e champanhe franceses exportados para os EUA.
Os EUA representam o principal mercado para vinhos e bebidas espirituosas franceses, correspondendo a 21% do total de exportações, segundo a Federação Francesa de Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas.
Atualmente há tarifas de 15% sobre vinhos e bebidas franceses a entrar nos EUA, já superiores a períodos anteriores que chegaram a 10%.
As exportações de vinhos e bebidas espirituosas franceses para os EUA registaram uma quebra de 21% no ano passado, segundo a mesma federação.
Em janeiro, Trump já havia ameaçado elevar tarifas para 200% caso a França recusasse o convite para integrar o chamado Conselho de Paz, apresentado por Washington.
O Canadá, por sua vez, abandonou o imposto sobre serviços digitais no ano passado, na tentativa de manter negociações comerciais com os EUA sob pressão de Trump.
Defensores do imposto sobre serviços digitais argumentam que estes montantes ajudam a assegurar que as grandes tecnológicas paguem impostos onde geram receitas, limitando estratégias de otimização fiscal.
Durante o primeiro mandato de Trump, foram já apresentadas ameaças de tarifas a champanhe e queijo franceses, na sequência da implementação do imposto em 2019.
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