A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, defende o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) numa mensagem interna a que a Euronews teve acesso. A comunicação surge numa altura em que emergem debates sobre a reforma do serviço diplomático da UE nas capitais comunitárias. Kallas aponta para a ligação entre SEAE, Comissão e Estados-membros, dizendo que as instituições têm papéis bem definidos nos tratados e que não devem sofrer alterações sem um processo formal.
O documento de França, que circula entre diplomatas, apresenta três cenários para a reforma. O primeiro propõe reduzir significativamente o papel do alto representante, deslocando competências centrais de política externa para a Comissão Europeia, o que favorecerá a atuação da presidente Ursula von der Leyen. O segundo cenário reforça o papel do Conselho Europeu, tornando os Estados-membros mais operacionais na condução externa. O terceiro cenário sugere manter o alto representante no centro, expandindo a supervisão sobre áreas como o comércio, com impacto geopolítico.
Kallas afirma, na mensagem, que a relação entre as instituições está sob debate constante, mas que grandes reformas requerem alterações aos tratados, algo que não está hoje em cima da mesa. Segundo fontes da UE, a discussão reacende-se com o recente anúncio de abertura do cargo de secretário-geral do SEAE, provocando um intervalo institucional.
A reforma do SEAE está associada a negociações sobre o próximo orçamento de sete anos da UE, com analistas a indicar que mudanças profundas podem não avançar antes do início do próximo mandato legislativo. Em paralelo, o SEAE prepara um documento de opções e prevê-se uma primeira discussão ministerial na próxima reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros, a 2 de setembro, na Irlanda.
Kallas deverá encontrar-se na sexta-feira com o ministro francês para a Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, antes de o estudo público do documento ficar disponível. O encontro coincide com uma conferência francesa sobre a solução de dois Estados.
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