O Papa Leão XIV denunciou nesta terça-feira a realidade dramática da violência contra as mulheres, que com frequência desemboca em feminicídios, durante uma vigília de oração no estádio olímpico de Barcelona, com cerca de 40 mil participantes. A voz do Pontífice chamou a sociedade a enfrentar o problema.
O líder da Igreja Católica afirmou que persiste um clima envenenado nas relações familiares, marcado por abusos e opressões, e reforçou a necessidade de atuação conjunta para lidar com a violência em todas as suas dimensões. Disse ainda que não se pode responsabilizar Deus pela escolha humana de agir com violência.
Não podemos aceitar que Deus responda às necessidades humanas de forma automática, afirmou Leão XIV, acrescentando que devem ser questionadas as dinâmicas da sociedade, a cultura do individualismo e a tentação de ferir o próximo. O foco é refletir sobre o homem e a humanidade.
Testemunho ao microfone
Uma jovem de 20 anos contou, de Barcelona, ter conhecido uma infância marcada pela violência patrimonial e pela intervenção de terceiros para salvar a mãe. Ela relatou que, hoje, aos 20 anos, está a estudar Direito, mas encontra dificuldade em perdoar o pai que tentou matar a mãe.
Leão XIV acolheu a jovem após ouvir o testemunho e disse que o perdão pode curar feridas, embora seja um caminho penoso e longo. Advertiu ainda que perdoar não implica regressar à situação anterior, especialmente quando houve violência.
Viagem e contexto
O Papa chegou a Espanha no fim de semana para uma visita de sete dias. Depois de Madrid, seguiu para Barcelona e vai ainda passar pelas ilhas Canárias. Em todas as ocasiões, tem reiterado mensagens sobre imigração, diversidade e dignidade de todas as pessoas.
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