Peggy Whitson disse, em público, que regressar à Terra pode ser mais exigente do que qualquer missão no espaço. A astronauta norte-americana destacou a importância da fisiologia na readaptação ao gradiente de gravidade após o regresso. A intervenção ocorreu numa sessão dedicada aos horizontes do espaço na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa.
Whitson explicou que a microgravidade obriga o corpo e o cérebro a funcionarem de forma diferente, e que os efeitos da gravidade na Terra são sentidos de forma mais intensa ao final de longas missões. A veterana da NASA e da Axiom Space revelou ainda o peso da recuperação física ao retornar ao solo.
Durante a visita, a astronauta, que já passou mais de 500 dias no espaço, explicou que a maior parte da adaptação ocorre no sistema neuromuscular e no vestibular. O treino na Estação Espacial Internacional visa mitigar atrofias e perdas ósseas, mas o regresso permanece desafiador.
Assinatura do memorando com a FMH
A presença de Whitson na FMH integrou a assinatura de um memorando de entendimento que formaliza a entrada da instituição na Axiom Space University Alliance. O objetivo é promover investigação e formação ligada ao espaço, com foco na fisiologia humana.
Em entrevista aos presentes, a estrela da OMS mostrou-se disponível para partilhar experiências das missões na ISS e na Axiom, destacando a evolução de protocolos de treino e readaptação ao retornar à Terra. A sessão contou com especialistas em motricidade humana.
O fisiologista Emiliano Ventura, ligado à FMH, comentou que a resposta ao espaço é personalizada e a investigação ainda está em fases iniciais. O contributo de Ventura inclui treino de preparação para missões de curta duração na ISS.
O presidente da FMH, Pedro Passos, destacou a prioridade de transformar a parceria em investigação prática. A instituição já planeia projetos de investigação e a possibilidade de futuras qualificações ligadas às questões espaciais.
A Agência Espacial Portuguesa, integrada na aliança, também está envolvida na iniciativa. Hugo Costa referiu que a colaboração permite aos estudantes da FMH expandir horizontes e incentivar o desenvolvimento da Medicina Espacial.
Entre na conversa da comunidade