- Nos primeiros três meses de 2026, a UE registou uma queda de cerca de 30% no valor em euros das trocas com os Estados Unidos face a igual período de 2025, segundo o Eurostat.
- Em agosto de 2025, os EUA impuseram tarifas de 15% sobre diversos bens, alegando défice superior a 300 mil milhões de euros nas trocas com a UE; o desequilíbrio em bens é estimado em cerca de 200 mil milhões de euros, mas é compensado por exportações de serviços norte-americanos para a UE.
- As tarifas atingiram setores europeus-chave, como automóvel, farmacêutico, semicondutores, bem como vinho e queijo; os EUA continuam a ser o maior mercado de exportação da UE, com cerca de 120 mil milhões de euros (cerca de 19% do total de exportações de bens).
- As exportações da UE para o resto do mundo caíram 9% no primeiro trimestre de 2026, com quedas para a China (8%), Turquia (8%) e Irão (-44%); as exportações para Indonésia aumentaram 23% devido ao CEPA.
- Novas tensões surgem: Trump ameaçou novas tarifas de 10% ou mais sobre a UE; a UE prepara a votação do CEPA para 16 de junho, com compromissos a incluir eliminação de tarifas sobre bens industriais dos EUA e maior acesso a vários produtos do mar e agrícolas.
A União Europeia está a sentir o peso das tarifas impostas pelos Estados Unidos, em especial após a medida de agosto de 2025. O impacto é visível no comércio entre as duas regiões, com queda relevante face ao mesmo período de 2025. A UE registou redução expressiva no valor dos bens trocados com Washington.
Segundo dados do Eurostat, nos primeiros três meses de 2026 o comércio entre a UE e os EUA caiu 30% em euros face ao mesmo período de 2025. A quebra é a mais acentuada entre os principais parceiros, apenas superada pela relação com o Irão.
Em agosto de 2025, a Administração Trump fixou uma tarifa de 15% sobre vários bens, alegando défice superior a 300 mil milhões de euros nas trocas com a UE. A medida intensificou a tensão comercial entre as duas partes.
A UE reconhece um desequilíbrio com os EUA na balança de bens, estimado em cerca de 200 mil milhões de euros. Contudo, o saldo global diminui devido ao valor das exportações de serviços norte-americanos para a UE, reduzindo o excedente para 21 mil milhões de euros.
Setores mais atingidos
As tarifas afectaram setores europeus-chave, incluindo automóvel, farmacêutico, semicondutores, vinho e queijo. Mesmo assim, os EUA mantêm-se como o maior destino das exportações da UE, com cerca de 120 mil milhões de euros.
A quebra das trocas com Washington contribuiu para uma descida de 9% nas exportações da UE para o resto do mundo, comparando o primeiro trimestre de 2026 com 2025. Descida menos acentuada ocorreu com a China e a Turquia.
O Irão registou a queda mais expressiva, em -44%, devido a sanções associadas ao programa nuclear, apoio à Rússia e violações de direitos humanos. Em contrapartida, as exportações para a Indonésia subiram 23%.
Perspetivas e acordos
A UE prepara-se para aplicar a sua parte do acordo com os EUA, enquanto Washington pressiona por avanços rápidos. O acordo, assinado em 2025, visa eliminar tarifas para a maioria das exportações da UE.
A conclusão do CEPA, um novo acordo de parceria económica, facilita a redução de tarifas e simplificação aduaneira. Espera-se entrada em vigor ainda este ano ou em 2027, segundo fontes oficiais.
O Reino Unido surge como segundo maior destino da UE, com 14% do total de exportações, depois dos EUA. Seguem Suíça, China e Turquia, com crescimentos menores, mas relevantes para o conjunto do comércio externo.
Novas tarifas no horizonte?
Donald Trump disse recentemente que pode impor tarifas adicionais sobre a UE e outros parceiros. Alegou que Bruxelas não combate o uso de trabalho forçado e não cumpriu compromissos do acordo de 2025.
A UE respondeu que as acusações são injustificadas, mantendo a defesa de que está a cumprir o acordo. A discussão sobre tarifas continua a prémio na agenda comercial transatlântica.
O Presidente norte-americano deu à UE um prazo até 4 de julho para aprovar a sua parte do acordo, com votação prevista para 16 de junho na UE. O desfecho pode redefinir o comércio bilateral.
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