A Ucrânia pode abrir e encerrar de imediato vários capítulos do seu processo de adesão à UE, após o levantamento do veto húngaro. A afirmação é de António Costa, presidente do Conselho Europeu, em entrevista à Euronews. O comentário foi feito à margem da cimeira UE-Balcãs Ocidentais, em Tivat, Montenegro.
Costa afirmou que, apesar do veto, o trabalho técnico paralelo permitiu avanços significativos. Segundo o dirigente, as reformas já realizadas pela Ucrânia permitem acelerar o processo, mesmo com o impasse anterior. Há uma visão de mudança de atitude em Budapeste.
O primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, é visto como sinal de renovação política na Hungria. Costa destacou o acordo bilateral com a Ucrânia sobre direitos das minorias na Transcarpátia como turning point para as relações entre os dois países e com a UE.
Caso tudo corra como desejado, Ucrânia e Moldávia abrirão, já em junho, o primeiro grupo de negociações, designado fundamental. Este grupo abrange direitos humanos, Estado de direito, sistema judicial e contratação pública.
Os 33 capítulos do processo, distribuídos por seis temas, permanecem suscetíveis a vetos. A Comissão Europeia supervisiona as reformas internas requeridas aos Estados candidatos.
Costa mostrou-se favorável a uma metodologia revista para o acesso aos capítulos. Em sua leitura, não é necessário consenso para abrir, apenas para encerrar capítulos e grupos, evitando bloqueios por questões bilaterais.
Especialistas em Bruxelas apontam que a abertura de seis grupos pode levar tempo. A previsão aponta para um cronograma que pode estender-se até setembro, com iniciadas negociações formais já neste mês.
Antes da cimeira, países como França e Alemanha defenderam uma integração gradual estruturada, trocando reformas por benefícios europeus que facilitem o caminho para a adesão plena.
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