O OpenAI revelou ter resolvido um enigma matemático com cerca de 80 anos, numa peça considerada inédita pela comunidade. A empresa associada ao ChatGPT apresentou a solução em geometria combinatória, um problema de Paul Erdős sobre a organização de pontos e linhas no espaço.
A notícia foi recebida com surpresa pelo meio académico, que reconhece o mérito técnico do feito. Um especialista de uma universidade norte-americana afirmou que a solução é excelente e digna de publicação numa revista científica, sem hesitar.
Apesar da euforia, surge um mal-estar entre profissionais de referência. Um grupo de 16 investigadores, com várias organizações mundiais, assinou a Declaração de Leiden sobre Inteligência Artificial e Matemática, para discutir direções futuras da área.
Leiden: o manifesto e os temores
A Declaração visa provocar discussão sobre o papel da IA na matemática e na investigação. Os signatários preocupam-se com o secretismo e com a comercialização do conhecimento, que pode prejudicar a partilha aberta que marcou a ciência.
Os autores criticam a opacidade na divulgação de métodos, dados de treino e recursos computacionais usados pelas grandes empresas. A economia de dádiva tradicional na matemática é colocada em risco pela lógica de negócios das plataformas.
Riscos e consequências para a ciência
Os peritos alertam para a qualidade dos resultados gerados por IA, que podem parecer convincentes, mas esconder falhas lógicas. A indústria teme a proliferação de artigos automatizados, difíceis de verificar e com impactos em áreas críticas.
Para alguns especialistas, a IA pode acelerar descobertas matemáticas, desde que haja salvaguardas que mantenham a compreensão humana. O debate permanece sobre como manter o controlo humano sobre o caminho de verificação.
Visões sobre o uso responsável
Sublinham que a IA é uma ferramenta poderosa para investigação, desde que seja usada sem perder a independência intelectual. Evitar depender cegamente de respostas geradas por máquinas é visto como essencial para o progresso humano na matemática.
No essencial, o campo permanece dividido entre reconhecimento do valor técnico do avanço e a necessidade de regras claras sobre acesso, transparência e ética na utilização da IA na investigação matemática.
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