A crise de acesso à habitação em Espanha intensifica-se em 2025, com metade do salário bruto médio a ser destinado ao pagamento de renda. O estudo, com dados da InfoJobs e Fotocasa, aponta 50% em 2025, frente a 47% em 2024, o valor mais alto da série analisada.
O preço do arrendamento tem aumentado mais rapidamente que os salários. No último ano, os salários oferecidos subiram 1%, enquanto o preço da habitação arrendada subiu 6,9%, fixando-se em 14,21 euros por metro quadrado por mês. Considerando uma casa de 80 m², o custo anual de renda chega a 13.642 euros.
Madrid e a Catalunha lideram o esforço salarial destinado ao arrendamento, com 71% e 70% do salário bruto, respetivamente. Seguem-se as Ilhas Baleares (64%), o País Basco (58%) e as Canárias (56%).
Entre as regiões, Extremadura (29%) e Castela‑Mancha (32%) apresentam os valores mais baixos, ainda assim acima dos níveis recomendados por organismos internacionais. A diferenciação entre comunidades é significativa no problema de acesso à habitação.
A província de Barcelona é a mais inacessível, com 76% do salário bruto comprometido com a renda mensal. Madrid fica próximo, com 72%, seguida por Baleares (64%) e Biscaia (61%). Las Palmas e Guipúzcoa registam 57%.
Por contraste, Jaén (23%), Teruel (25%), Cáceres (27%) e Ciudad Real (28%) apresentam menor pressão. Apenas sete províncias e a Estremadura ficam iguais ou abaixo de 30% do salário dedicado à renda.
Fotocasa define o cenário como uma viragem na crise habitacional. A diretora de Estudos, María Matos, descreve 50% da renda como um ponto de “emergência habitacional”, 20 pontos acima dos níveis recomendados.
A InfoJobs sublinha o fosso entre salário e custo de vida no arrendamento. Embora o salário bruto anual oferecido tenha aumentado, o crescimento é insuficiente para compensar o encarecimento, afetando poupança, mobilidade laboral e decisões como emancipação ou fundar família.
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