O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou no sábado à província de Ituri, no leste da RDC, epicentro de um surto grave de Ébola. A deslocação visa apelar à ação comunitária e acompanhar a resposta médica. A visita inclui a passagem por um centro de tratamento e reuniões com autoridades locais, profissionais de saúde e famílias afetadas em Bunia.
Tedros destacou a necessidade de apoio contínuo para combater a doença no epicentro e manter a ajuda disponível. O objetivo é assegurar o envolvimento das comunidades, avaliar a resposta em campo e identificar dificuldades a superar com a ajuda internacional e do governo da RDC.
Dimensão do surto
O vírus está a avançar mais rapidamente do que a capacidade de resposta, com o Ébola já presente em três províncias do leste e no Uganda vizinho. A extensão real do surto pode ser maior do que os casos confirmados refletem, advertiu a OMS. A RDC enfrenta testes laboratoriais limitados e confirmação de casos difícil.
Dados recentes apontam pelo menos 1 077 casos suspeitos e 246 mortes, segundo os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças. Uganda confirmou nove infeções e uma morte, na sexta-feira.
Contexto regional e respostas
A OMS informou a recuperação de um doente que recebeu alta após dois testes negativos, considerado o primeiro caso entre os portadores confirmados. O surto ocorre num contexto de violência e instabilidade em Ituri, dificultando o acesso aos serviços de saúde.
As áreas vizinhas Norte e Sul Kivu registam também casos de Ébola. Milícias e conflitos armados, incluindo a presença de ADF e facções étnicas, complicam as operações de controlo da doença. Milhões vivem em campos de deslocados com condições precárias.
As fronteiras foram encerradas por Uganda e Ruanda. Uganda decretou quarentena de 21 dias para quem chega da RDC. Em outros países, autoridades adotaram medidas de controlo de mobilidade para reduzir o risco de transmissão.
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