Edgar Morin, sociólogo francês de 104 anos, morreu na sexta-feira. O anúncio foi feito neste sábado pela viúva Sabah Abouessalam Morin. O falecimento ocorreu num contexto de longa carreira dedicada à epistemologia como ciência global da humanidade.
Morin defendia uma abordagem multidisciplinar para compreender o ser humano, rejeitando a fragmentação do saber. Chamava-se a si próprio caçador de conhecimento e via a complexidade como base da realidade. O movimento pela epistemologia visava conectar áreas distintas do saber.
Nascido em Paris a 8 de julho de 1921, Morin tinha raízes judaicas de Salónica, na Grécia. Aderiu ao Partido Comunista em 1941 e participou na Resistência sob o pseudónimo Morin, que adotou como nome literário.
Em 1959 rompeu com o comunismo, escrevendo Autocrítica, obra especialmente incómoda para o partido europeu. Foi um precursor da sociologia do presente, estudando fenómenos como cinema, tecnologia e desporto.
No quinto volume de O Método, Morin afirmou que quanto mais se conhece o ser humano, menos se o compreende, e que a dissociação entre disciplinas debilita a vida e a complexidade. Defendia que o pensamento complexo permite sínteses relevantes.
Em visitas a Portugal, Morin ressaltou a riqueza da multiculturalidade e valorizou a lusofonia. Descreveu Portugal como um país atlântico e mediterrâneo, com ligação à comunidade global, destacando vitalidade, convivialidade e cordialidade.
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