A UE registou um forte aumento de conteúdos de abuso sexual infantil gerados por IA, somando-se a uma escalada geral de exploração online de menores. Em 2025, as linhas de denúncia cofinanciadas pela UE receberam mais de 4,5 milhões de registos de conteúdos supostamente ilegais, segundo o Observatório Better Internet for Kids. A maioria destas denúncias envolve abuso ou exploração sexual de crianças.
Dados da Internet Watch Foundation indicam que 63% dos URLs de abuso identificados no último ano estavam alojados em serviços utilizados por Estados-membros da UE. Entre os países, a Bulgária lidera em número total de páginas criminosas alojadas, seguida pelos Países Baixos e pela Roménia, com 33 788 e 21 188 páginas respetivamente. França e Alemanha também registaram aumentos relevantes em 2025.
Neste contexto, surgem novas ameaças. Na primeira metade de 2025, houve um aumento de 400% em conteúdos gerados por IA, identificados em 210 páginas web. Publicações associam estes conteúdos a casos de grooming, extorsão sexual e chantagem.
Novas dinâmicas e grooming
A Missing Children Europe aponta que o grooming online permanece ligado ao desaparecimento de menores, com 92 casos em que o grooming esteve relacionado com o desaparecimento, segundo linhas telefónicas de crianças desaparecidas. A Europa Ocidental regista, em média, uma em cada cinco crianças sujeita a grooming online antes de completar 18 anos.
As vítimas costumam não apresentar queixas devido a medo, estigma ou incapacidade de reconhecerem os comportamentos de grooming, o que dificulta a visibilidade do fenómeno. Há fatores de risco, como baixa autoestima e questões de saúde mental, que agem como aliciamento para os agressores. As raparigas continuam a ser o grupo mais visado, embora muitos casos de grooming em rapazes permaneçam subnotificados.
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