O alarmante quadro climático traçado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica que o calor extremo vai persistir na Europa até 2030. A Europa, especialmente o sul, aparece entre as regiões mais vulneráveis a ondas de calor e secas, com recordes prováveis nos próximos anos.
Segundo a Actualização Climática Global Anual a Decenal (2026-2035), as temperaturas médias globais devem manter-se próximas de recordes entre 2026 e 2030. A ênfase recai sobre a probabilidade de novos máximos, mesmo com variações regionais importantes.
Portugal, junto de grande parte da Europa, pode enfrentar verões mais quentes, longos e secos. As previsões apontam para episódios extremos mais frequentes, incluindo ondas de calor, já refletidas em maio com temperaturas muito altas e noites tropicais.
Factos-chave da OMM
A temperatura global à superfície entre 2026 e 2030 deverá situar-se entre 1,3 °C e 1,9 °C acima da média de 1850-1900. Há 86% de probabilidade de pelo menos um ano estabelecer um novo recorde anual no período.
A tendência mundial é marcada por 2025 acima da média em quase todo o território terrestre, com particular calor na Europa. A OMM lembra que a subida de 1,5 °C acima da base pré-industrial é cada vez mais provável temporariamente.
El Niño e impactos
O relatório reforça que a combinação de aquecimento global e El Niño aumenta a probabilidade de fenómenos extremos. Estima-se o aparecimento de um El Niño no final de 2026, com potencial para potenciar recordes em 2027 e 2028.
O Pacífico tropical central pode entrar em condições de El Niño nos próximos meses, mantendo-se com elevada probabilidade de consolidação. Este cenário amplifica a volatilidade climática global.
Incêndios e seca
O agravamento das temperaturas aumenta a dessecagem da vegetação, prolonga o período de risco e eleva a intensidade dos incêndios. Em Portugal e no Mediterrâneo, o risco de fogo permanece elevado.
Entre janeiro e abril, já se registou aumento de áreas ardidas a nível mundial, com estimativas de mais de 150 milhões de hectares queimados no mundo. A propagação de incêndios deverá manter-se em patamar intenso em 2026.
Precipitação e padrões regionais
Os padrões de chuva devem tornar-se mais assimétricos: mais precipitação nos trópicos e em altas latitudes, menos nas regiões subtropicais. Anomalias húmidas são previstas no Sahel, norte da Europa, Alasca e Sibéria; secas são previstas na Amazónia.
A OMM sublinha que a variabilidade não impede o objetivo de longo prazo do Acordo de Paris, mas alerta para frequentes excedentes temporários de 1,5 °C.
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