Hoje foi divulgado um estudo que mostra, em ratinhos, a possibilidade de uma vacina de ARN mensageiro proteger contra três espécies de Ébola: Zaire, Sudão e Bundibugyo. A pesquisa não envolve ainda humanos e foca-se em animais.
Os investigadores, de universidades chinesas em Anhui e Hefei, testaram uma única vacina que, administrada com duas doses, ofereceu sobrevivência aos roedores infetados com as três espécies mencionadas. Em alguns casos, a proteção manteve-se por mais de um ano.
A equipa reforçou que modelos em ratinhos não reproduzem integralmente a infeção humana, pelo que serão necessários ensaios em primatas não humanos e, posteriormente, em pessoas. A vacina utiliza ARN mensageiro, técnica já empregue em vacinas de COVID-19.
Desempenho técnico e limites
A vacina foi criada com proteínas de cada vírus visado e administrada 21 dias após a primeira dose. Os autores sublinham que os resultados ainda não garantem eficácia em humanos, sendo indispensáveis estudos adicionais antes de qualquer ensaio clínico.
O estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstra o potencial de uma abordagem multiespécie, excluindo apenas a espécie Bundibugyo até ao momento. A pesquisa aponta para avanços no esforço global de desenvolver uma solução mais ampla contra o Ébola.
Contexto global e perspetivas
As vacinas aprovadas pela OMS hoje visam apenas o vírus do Zaire, embora exista uma investigação para a espécie do Sudão. A Bundibugyo tem estado associada a surtos recentes na República Democrática do Congo e no Uganda, com dezenas de casos e mortes reportados pela OMS.
Experiências anteriores com vacinas de Ébola já se centraram no Zaire, com uso em milhares de pessoas. A equipa chinesa afirma que o próximo passo envolve testes em modelos mais próximos da infeção humana antes de considerar ensaios em humanos, num contexto de surtos.
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